Antes de começar, gostaria de lembrar que vocês podem ouvir o podcast do Putzilla, que neste mês de outubro tratará sobre o tema terror (por isto este post existe ^. -).

Quando se fala sobre gêneros de filmes, um que sempre é lembrado é o de terror. Quem nunca se assustou assistindo Sexta-feira 13 ou Halloween? Mas estes filmes são norte americanos. Você já assistiu algum filme de terror asiático? Se sim, já sabe que tem muita diferença nestes tipos de filmes e por conta destas diferenças que muitas pessoas não gostam destas produções, ou estranham logo de cara.

Acredito que seja por causa da grande carga cultural inserida nos filmes, ou melhor, em boa parte de produções da cultura pop feitas na Ásia. E é normal introduzir elementos que se aproximam mais do cotidiano que o público alvo vive, ou se inspirar em algo que você vive. E o cinema asiático não é diferente, por isso, às vezes é bom dar uma pesquisada para entender alguns elementos do filme.terror_asia1Uma das bases de qualquer civilização é a religião, e isso é bem forte nos países asiáticos. Elementos que se referem ao budismo, taoismo e xintoísmo geralmente estão presentes nos filmes que usam temas sobrenaturais.
E usando isso temos, por exemplo, “Jigoku”, filme japonês de 1963, que é a história de dois jovens estudantes de teologia atropelam uma pessoa e logo após o incidente eles vão para o inferno budista.

Ainda nesta linha clássica e sobrenatural também temos “Yabu no naka no kuroneko”, de 1968, história de uma mulher e sua filha que são estupradas e assassinadas por soldados, após o incidente começam a ocorrer mortes de soldados que voltam da guerra.

Cena do filme "Jigoku"

Um dos subgêneros do terror que ganhou força no Japão pelos anos 80, foi o splatter ou gore, que têm cenas exageradas com litros de sangue espirrando e mutilação. Foi neste ano que surgiu o primeiro filme da franquia “Guinea pig”, que são 7 filmes e um documentário, cada filme com uma história diferente.

O “Guinea pig” chama atenção pelo realismo das cenas, o que acabou gerando uma história engraçada envolvendo o ator norte americano Charlie Sheen. O ator assistiu a um vídeo do segundo filme “Guinea pig 2:Flowers of Flesh and Blood” e acabou acreditando que ele fosse real e denunciou o mesmo. A denúncia foi parar no FBI, que foi até o Japão realizar investigações. Os diretores acabaram presos e só foram soltos após a produção de um making of do filme explicando que tudo era efeito especial.

Cena de "Guinea pig". Abra por sua conta e risco.

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Quanto às produções atuais, temos a trilogia japonesa “Ringu“, no qual o primeiro filme inspirou o filme norte americano “O Chamado”, que se transformou num título de destaque no ocidente. E este filme não foi único a inspirar uma produção americana, temos também “Ju-On” que  foi refilmado aqui no ocidente como o “O Grito”.

E assim como “Ringu”, “Ju-On” é uma franquia de filmes de terror no Japão e que por sorte não foram refilmados no ocidente.  E um que não é tão famoso é “One missed call”, um remake do filme japonês “Chakushin Ari”. Existem muitos outros exemplos, pode-se dizer até que foi uma fase do cinema norte americano, fazer as adaptações de filmes de terror japonês.

Cena do filme "Ringu"

E por que não misturar o terror com algo com conotação sexual? O próprio “Guinea pig” em alguns momentos remete a isso, pois existem pessoas com fetiche com “Gore”. Se quiser procurar por filmes assim, eu recomendaria a procurar por este diretor: Kazuo “Gaira” Komizu. Mas nesta área também temos coisas bem inusitadas como “Rape Zombie: Luxúria dos Mortos”, que são garotas bonitas matando zumbis. E como ecchi funciona, temos produções como “Oneechambara” e “Vampire Girl vs. Frankenstein Girl“.

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Quando se fala de horror no cinema japonês, vem a mente de quem conhece, o diretor Takashi Miike. Ele não trabalha apenas com esse gênero, mas os filmes que ele produziu chamam bastante atenção. Entre eles eu cito “Ichi: The Killer” e “Audition”, o primeiro não é necessariamente terror, mas possui muita violência e “gore” e a história gira em torno de um bandido sádico que lidera uma gangue cuja o objetivo é encontrar um chefe da Yakuza que desapareceu com três milhões de yens. “Audition”, à primeira vista, é um filme de drama, mas o final surpreende.

Cena do filme "Audition"

Um filme coreano é fortemente recomendado é “A Tale of Two Sisters”, que ganhou um remake norte americano chamado “The Uninvited“, que conta a história de duas irmãs que vão viver com a madrasta, porém as irmãs não possuem uma boa relação com sua madrasta e é em torno disso, com a adição de alguns fantasmas, que temos um começo de história.

Outro filme de fantasma coreano, é “Cello”, que mostra uma professora de violoncelo que vive com as memórias ressentidas de um acidente mortal envolvendo a sua melhor amiga. Quando a sua filha começa a ter um interesse repentino em aprender a tocar violoncelo, de repente a sua família é colocada sob a ameaça de um ente sobrenatural.

Imagem do filme "A Tale of Two Sisters"

Agora sobre cinema tailandês, um que eu acho interessante é o “Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado” e “Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho”. Não existe conexão entre o primeiro e o segundo filme, exceto que são filmes de espíritos. Existe uma trilogia bem comentada que é “Art of devil”. Eu ainda não vi, mas dizem que é bem pesada.

Papel de Parede do filme "Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado"

E, por fim, o cinema chinês, ou melhor de Hong Kong, temos “The Eye” que ganhou um remake norte americano de mesmo nome. Este filme conta a história de uma garota cega que recebe um transplante de córneas, porém após transplante ela começa a ter visões.

Posso citar também “re-cycle”, que fala sobre uma escritora que anuncia seu novo livro, cuja temática seria o sobrenatural, porém ela possui dificuldade em começar a escrever, e  junto a isso estranhos acontecimentos ocorrem com ela, o que acaba culminando em uma viagem para um outro mundo.

Cena do filme "Re-cycle"

Tentei ser o mais breve possível, mas espero que tenha conseguido apresentar um pouco dos filmes de terror asiático para vocês. Recomendo que assista aos filmes que eu citei, mas advirto que os filmes de “gore” podem ser bem pesados mesmo.

Já faz um tempo que não tenho acompanhado filmes deste gênero, e boa parte dos filmes que eu citei neste post podem ser encontrados em DVD aqui no Brasil, que foi como eu assisti eles. O que atrai nestes filmes para mim não é o terror em si, mas as suas histórias, pois como dito antes, tem muito de crenças envolvidas e este é um assunto que me atrai.