Christopher Nolan não é um diretor qualquer. Seu primeiro filme já é ótimo, e talvez o único que não seja minimamente ótimo seja Insônia, mas há controversas sobre isso. Não é qualquer diretor que em seus quarto longa faz o remake do Batman, principalmente depois da tragédia que é Batman & Robin. Depois de Begins a carreira do diretor ascendeu a patamares invejados pela maioria dos formandos em cinema. Aliás, é importante ressaltar que Nolan é da geração de J.J Abrams, aos sete anos ele começou a filmar seu primeiro filme em uma câmera Super-8. Deve ser isso que faltou na minha infância.

Nolan havia saído de dois filmes excelentes: The Dark Knight e A Origem. Ao mesmo tempo que todos confiavam nele, algumas pessoas se perguntaram se esse seria seu deslize. Para a sorte delas e para a minha ela estavam erradas.

A palavra inglesa rise é algo difícil de se traduzir. Pode significar ascensão, ressurgir, subir, aumentar, elevar, entre outras dezenas de significados que se perdem durante a tradução. E é por isso que resolvi utilizar o nome original do filme. Rise é a palavra que define TDKR.


Hans Zimmer volta novamente na trilha sonora. Mas não se engane achando que teremos somente uma repetição das músicas dos dois filmes anteriores. Zimmer encaixa o “Cântico” em diversas músicas dos outros filmes, além de compor músicas novas com e sem o “Cântico”. Para aqueles que não sabe o que é o “Cântico”, ele é aqueles gritos de fundo que tem até mesmo nos trailers, o “Deshay, deshay! Bashara, bashara!”, que significa “He rises!

Claro que depois de A Origem só podíamos esperar um relação entre áudio e visual muito boa. O filme não só utiliza das músicas extremamente fortes, mas como abusa do silêncio para aumentar ainda mais a tensão. Aliás, Nolan usa o hino que foi cantado nos trailers para causar uma tensão em um dos grandes momentos do filme, e, exatamente por já ter visto o trailer, a tensão é maior.

A voz do Bane foi melhorada (Graças a Deus) e agora é possível entende-lo, mesmo parecendo que nela há um alto falante. A dor que a máscara representa consegue ser transmitida pela voz do vilão, chegando a causar um certo (“bom”) incomodo. Pontos para a atuação de Tom Hardy e para a Edição de som.

O visual do filme continua excelente. Retiraram as malditas câmeras tremidas que me faziam não entender nada e muita das batalhas agora são em locais mais claros, então quem não gostava de toda aquela escuridão dos dois primeiros filmes pode ficar tranquilo. Os efeitos continuam sempre perfeitos. Nolan prefere os efeitos práticos o que dá uma toma mais “realista” a coisa. Só achei meio estranho aquela moto freando, mas tudo bem.

Todas as atuações são fodas. Bale agora pode realmente mostrar que é um bom ator através de Bruce Wayne, Caine faz um Alfred espetacular (Oscar de melhor ator coadjuvante por favor), Hathaway interpreta uma Selina Kyle muito superior a suas antecessoras. Eu poderia ficar escrevendo paragrafo atrás de paragrafo elogiando essa constelação em forma de morcego, mas vou me conter e falar um pouco mais do elo fraco: Marion Cotillard. Cotillard é uma ótima atriz, e muito bonita por sinal, mas existe uma cena no final do filme que beira ao ridículo, só não consigo entender se ela que atuou mal ou se o roteiro não já deixava aquela cena meio ridícula mesmo.

A roupa da mulher gato me surpreendeu. Estava receoso por causa das “orelhinhas”, mas o filme da um belo motivo para aquilo. A armadura do Batman está melhor, mas ainda me incomoda muito. Bale não parece ter muita mobilidade naquilo. Já a mascara de Bane é muito melhor nas telonas.

O filme fecha a trilogia e acontecimentos de ambos os filmes tem reflexo neste. Em alguns momentos Nolan trás flashbacks para o público leigo entender certas referências, mas as piadas (gags) são só para quem viu os outros dois filmes. Nolan bebe de diversas fontes nesse filme desde diversas HQs do Batman como “A Queda do Morcego” até “Um Conto de Duas Cidades” de Charles Dickens. Todas a pontas são presas nesse filme e mesmo o que normalmente seria visto como um possível gancho dá a sensação de conclusão.

A edição do filme talvez tenha sido a parte que mais cometeu falhas. Certas passagens de tempo ficam confusas e em certas cenas os personagens parecem que se teletransportaram, mas com 2 horas e 40 minutos de filme é até entendível.

Por fim, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é o mais heroico da trilogia, mas não deixa de ser humano. É uma celebração de Bruce Wayne como homem e de Batman como mito. É um ode ao bom cinema e ao bom quadrinho. Com um olhar mais crítico posso dizer que não é superior ao seu antecessor, mas pessoalmente The Dark Knight Rises é muito melhor. Merece ser visto no cinema.

 

Nota: 10/10

E coitado do próximo diretor…

 

Esse artigo é uma colaboração de Renan Aspira.

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