Ultimamente um pensamento de desistência da mídia anime não saía da minha mente. É tanta porcaria, obras feitas para um público adolescente, porradaria desenfreada, moe e apelações, que estava me questionando se ainda compensava assistir animes ou se eu estava ficando “grandinho” demais para esse tipo de coisa, pois obviamente essas paradas agradam muito mais adolescentes que estão naquela fase de se exitar até com perna de mesa. No meio disso, “Sakamichi no Apollon” ou “Kids on the Slope” apareceu na minha vida, provando que ainda existe esperança nos animes, compensando todas as japonesices que eu tive que relevar em outras obras.

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Baseado em um mangá Josei (feito para mulheres adultas), dirigido por Shinichiro Watanabe, o gênio responsável por Cowboy Bebop, “Sakamichi no Apollon” é uma história de jovens com relações conturbadas, mas que são unidos pelo Jazz. Kaoru Nishimi se muda de Tóquio para uma cidade no interior do Japão e acaba encontrando uma realidade desagradável de se sentir sozinho na casa dos parentes que o receberam, solitário no meio de muitas pessoas. Para completar, ele ainda sente enjoo quando percebe que todos estão falando dele no colégio. O único jeito de não se sentir enjoado é ir para o térreo, porém a chave do lugar de monopolizada pelo valentão Sentarou, que se recusa a emprestar a chave. Por sorte, Sentarou é amigo de Ritsuko, sendo os dois encontram no final das aulas na loja do pai da garota e Kaoru é convidado para visitá-los, que acaba virando o tecladista do grupo. No porão da loja, todos os dias rolam ensaio de Jazz, um tipo de música pouco explorada ultimamente, mas que vale muito a pena conhecer.

O ambiente que se passa a história é em um Japão da década de 60, ainda sofrendo com o pós-guerra. A influencia americana naquele local faz com que estilos musicais que estavam surgindo nos Estados Unidos, se dissemine bastante entre os jovens japoneses, que no futuro criariam os seus próprios. A animação usa essa época para falar sobre o que é o Jazz, os vários músicos e como o ele foi recebido nas terras nipônicas.

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Apesar disso tudo, a música é apenas um dos elementos que compõe essa obra. Os personagens que parecem simples, mas no fundo são bem complexos, interagem entre si sempre de formas empolgantes. Fazia um tempo que eu não tentava definir o que certo personagem estava pensando ou o que ele era na verdade, já que muitos animes simplesmente pegam personagens já prontos e que deram certo, o que não acontece em “Sakamichi no Apollon”, que foi algo corajoso que deu certo.

Por ser um anime direcionado a mulheres adultas, romances complicados, porém bem explorados, acontecem e mesmo quem não gosta desse tipo de coisa, vai perceber que se bem-feito, não deixa de ser interessante.
Caros leitores, fui submetido a uma obra-prima quando assisti “Sakamichi no Apollon”. É aquele tipo de anime que vai fazer pessoas que não gostam da mídia, dar o braço a torcer por ser algo que exige muito pouco ou nenhuma tolerância a japonizice. Animes como esse só aparecem quando os cometas se aliam e resolvem trazer luz a algo que estava desacreditado.

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