한류, 韓流, Hallyu, ou, simplesmente, Onda Coreana. É assim que a mídia se refere à crescente invasão sul coreana no restante da Ásia, principalmente, e do mundo, mais recentemente. O termo Hallyu – que significa “onda” em coreano – foi cunhado ao fim dos anos ’90, por jornalistas chineses surpresos com o sucesso da cultura e do entretenimento coreano em seu país. Não é muito coerente falar “Onda Hallyu” – seria como se você disse “Onda-Onda”, o que é desnecessário, não é?

Suas três principais bases são: a música pop (conhecida como k-pop – Korean pop); as novelas/minisséries televisivas (chamadas na Ásia de dramas – as coreanas são os k-dramas); e o cinema (a Hallyuwood ou – adivinha só? – os k-movies). Para a Coreia, a Hallyu é muito mais que um simples fenômeno cultural – é motivo de orgulho nacional!

Ilustração: Julie Notarianni – The Seattle Times)

Expansão e Impacto

Pode-se dizer que a Hallyu surgiu no fim dos anos ’90. Nesse tempo, a cultura pop da Coreia do Sul começou a se espalhar pelos outros países da Ásia, como Coreia do Norte, China, Japão, Taiwan e Hong Kong. A febre sul-coreana chamou a atenção da mídia, e a Hallyu tornou-se cada vez mais popular.

Com a expansão da internet, expandiu-se também o alcance da Hallyu. Agora, a Europa, as Américas e até mesmo a África, também estão pegando a febre coreana, que faz cada vez mais sucesso nos países ocidentais.

Na Coreia do Sul, a Hallyu tem grande impacto na economia do país, de forma direta – com o lucro da exportação de músicas, filmes e dramas – e indireta – como o aumento do turismo. Além disso, também tem colaborado para a força política e o reconhecimento internacional do país

 

K-Pop

Foi por volta dos anos ’90 que a música popular sul-coreana passou a incorporar estilos americanos, como Rap, Hip Hop, R&B, Rock e Techno. Em 1995 é fundada a maior agência de talentos da Coreia do Sul, a S.M. Entertainment, seguida por outras mais ao fim da década, como YG Entertainment, DSP Entertainment, JYP Entertainment, FCN Music, entre outras. E, então, o k-pop começou a espalhar-se fora da Coreia.

E o sucesso por estes lados ocidentais não é pouco! As Wonder Girls foram as primeiras artistas coreanas a fazerem aparições em programas norte-americanos, e fizeram turnê com os Jonas Brothers em 2009.

Em 2011, o grupo Big Bang venceu o prêmio de “Best Worldwide Act” no MTV EMA, batendo recorde de votos: 58 milhões, por volta de um terço do total de votos (somando todas as categorias do EMA). Ainda em 2011, o grupo 2NE1 venceu o prêmio “Best New Band In the World” do MTV Iggy. Este ano, Girls’ Generation foi o primeiro grupo a debutar nos Estados Unidos.

Cada vez mais grupos de k-pop anunciam turnês mundiais, o que traz expectativa e esperança aos fãs internacionais, que em sua maioria nunca imaginariam ver seus ídolos de perto. Mas o crescimento da Hallyu está tornando isso possível!

(Fonte: sites oficiais das gravadoras – divulgação)

K-Dramas

Existem basicamente dois estilos principais de dramas: os modernos e os históricos. Os modernos, já diz o nome, são histórias atuais, com típicos triângulos amorosos, conflitos românticos, problemas relacionados a diferenças socioeconômicas, e outros tantos assuntos comuns a quaisquer séries ou novelas por aí, apenas apresentados numa cultura diferente – o que, às vezes, pode nos espantar bastante! Já os dramas históricos se passam em tempos mais antigos, têm tramas mais elaboradas, muitas vezes envolvem guerras, artes marciais, lutas de espadas, defesa da honra. Os dois tipos são caracterizados, geralmente, por produções de qualidade, personagens profundos e roteiro inteligente, apesar de geralmente se apoiar em vários arquétipos e clichês.

Os k-dramas também têm se espalhado pelo restante da Ásia e pelo mundo. É cada vez mais fácil encontrar alguém que assiste, ou pelo menos já assistiu algum drama. Como costumam ser curtos – dificilmente passam de vinte episódios, apesar de existirem aqueles com mais de 100 –, é rápido de se ver, principalmente se já tiver sido concluído, quando se pode vê-lo inteiro de uma vez, se quiser (experiência própria: já passei dezessete horas assistindo um drama inteiro, só parando para ir ao banheiro e comprar sorvete). Muitos consideram viciante… e eu não posso discordar!

K-Movies

A era de ouro dos k-movies foi lá pelos anos ’50, mas isso não significa que hoje em dia esse ramo de entretenimento não faça um grande sucesso também. O cinema coreano ganhou reconhecimento internacional sério em 2002, quando o filme Oasis ficou em segundo lugar no Festival de Cinema de Veneza. Oldboy ficou em segundo lugar no Festival de Cannes, no mesmo ano. Em 2004, Kim Ki Duk ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema de Berlim. Em 2011, Jeong-hee Yoon ganhou o prêmio de melhor atriz do Los Angeles Film Critics Association. E assim, os k-movies vão, aos poucos, ganhando seu espaço no cenário cinematográfico mundial.

Para os mais curiosos, que desejam mais informações sobre o cinema coreano, é interessante acessar o Korean Movie Database: http://www.kmdb.or.kr/eng/.

K-mais-umas-coisas-aí

Nem só de cantores e atores vive a Onda Coreana…

Mais um exemplo “Made in Korea” que tem alcançado o mundo são os manhwas – as histórias em quadrinhos coreanas. Aqui no Brasil, já temos boas opções de manhwas, como Tarot Cafe, Dangu, Model, Ragnarök, entre outros. Na Coreia, é muito comum a adaptação deles para dramas e filmes.

Outra grande influência da Hallyu é na moda. Dificilmente alguém se envolve com a Hallyu sem acabar por incorporar um pouco do estilo sul-coreano ao seu próprio. Estilos de cabelo diferentes, acessórios originais, óculos modernos, sobreposições ousadas, tudo faz brilhar os olhos dos amantes da moda. Sites que importam CDs e DVDs coreanos não deixam de aproveitar a chance de oferecer também a importação de roupas e acessórios iguais ou semelhantes aos usados pelos artistas. Entre os k-idols eleitos como os mais fashionistas, estão os rapazes G-Dragon (Big Bang) e Junhyung (Beast), e as garotas CL (2NE1) e Hyomin (T-ara), entre outros.

Aos interessados em ir um pouquinho mais fundo na apreciação da cultura da Coreia, podem procurar também os restaurantes de comida tradicional coreana, onde poderão apreciar pratos típicos, como kimchi, japchae ou kalbi, e quem sabe tomar uma das mais tradicionais bebidas coreanas, o Makkoli, uma cerveja de arroz.


Hallyu Museum

“A onda Hallyu, assim como as olimpíadas, se tornou uma marca cultural que ilumina as pessoas de todo o mundo sobre a Coreia do Sul. Portanto, é justo criar um lugar onde as pessoas possam entrar e experimentar a cultura Hallyu, que agora será no Museu Hallyu”. Esse comentário foi feito por Heo Nam, diretor do Hallyu Museum, que está sendo construído em Young Jong Do, Incheon, na Coreia do Sul. O museu pretende reunir em um só lugar tudo aquilo que contribuiu para o crescimento da Hallyu, para divulgar e criar uma imagem positiva da onda.

Hallyu no Brasil

A Hallyu ainda pode ser considerada uma novidade no Brasil. Foi apenas com a popularização da internet, facilitando o acesso a músicas e vídeos de todo o mundo, que os brasileiros passaram a ter mais acesso à cultura pop sul-coreana. Desde então, a tendência é que a Hallyu cresça cada vez mais por aqui – e alguns fatos dos últimos meses parecem comprovar essa previsão.

O ano de 2011 provavelmente será lembrado como um marco histórico da Hallyu em nosso país. Em setembro, o grupo MBLAQ veio ao Brasil para serem jurados de um concurso de grupos de dança. Os organizadores do evento subestimaram o sucesso do k-pop por aqui, o que resultou em centenas de pessoas esperando do lado de fora do evento e uma grata surpresa aos cantores. No fim do ano, dois integrantes do grupo ZE:A vieram para cá gravar o reality show Star Date, com duas sortudas brasileiras que tiveram a chance de passar dois dias com os rapazes.

Mas o ápice da Hallyu no ano passado foi no dia 13 de dezembro, no Espaço das Américas, em São Paulo, onde aconteceu o primeiro grande concerto de k-pop no Brasil: o United Cube in Brazil, com a apresentação dos grupos Beast, 4Minute, e a cantora G.na. A energia, alegria e receptividade dos fãs presentes no show (cof, cof, eu entre eles, cof, cof) contagiou os artistas, que se emocionaram com o carinho dos brasileiros.

E 2012 também promete: no Carnaval deste ano, em São Paulo, como comemoração aos 50 anos de imigração coreana a serem completados ano que vem, a abertura do desfile da Vai Vai foi feita por dançarinos coreanos, mesclando dança e artes marciais em uma coreografia bonita de se ver!

Mas não para por aí: recentemente, Big Bang confirmou sua passagem por São Paulo em sua turnê mundial este ano (pulinhos e gritinhos de alegria da VIP assumida aqui). O grupo está entre os mais bem conceituados da Hallyu, e promete mover muitas pessoas do Brasil inteiro – e até de fora do país – para Sampa. Com o grupo 2NE1, da mesma gravadora, anunciando também sua turnê mundial, não faltam fãs com esperança que as garotas passem igualmente por aqui também. Além disso, correm boatos de que o programa coreano Music Bank, que sempre conta com a presença de vários artistas, talvez seja gravado por aqui também. Vale a pena esperar pra ver!

E a Stedy aqui, como boa adepta da Hallyu, pretende estar a partir de agora trazendo cada vez mais informações sobre Hallyu para vocês, falando sobre grupos de k-pop, resenhando k-movies e k-dramas (assim como japoneses, taiwaneses, chineses… Nem só de Hallyu vive meu entretenimento!) e fazendo relatos de shows que, para miiinha alegria, eu consiga comparecer!

Stedy partindo, surfando na onda coreana… Annyong!