Sinopse: Grandes coisas estão prestes a acontecer na casa dos Maple. A mãe vai ter um bebê,o que significa que agora haverá quatro irmãs Rittle em vez de apenas três. Mas quando a bebê Lily nasce prematura e não pode vir do hospital para casa, Maple sabe vai até ela para salvar sua irmã. Então, ela e Dawn, armada com um mapa e alguns restos do jantar, descem rio abaixo e atravessam uma montanha para encontrar a mulher sábia que pode conceder milagres. Agora é não apenas a sobrevivência de Lily que eles têm que se preocupar, mas também a sua própria. Os perigos que Maple e Dawn encontram em sua jornada as fazem perceber uma ou duas coisas sobre milagres – e sobre elas mesmas. 

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Capa do livro na edição brasileira

Particularmente, acho muito difícil escrever como se fosse uma criança. Acho que sou mesmo uma velha de 60 anos num corpo de 25, como disse minha amiga Allana… Mas se já é difícil pensar como uma criança, fazer a criança falar e me fazer acreditar que estou mesmo vendo a vida dela com seus olhos é ainda pior.

Acho que o maior problema desse livro foi isso. Às vezes achava que era uma menininha de 9 anos (Maple) narrando sua aventura para salvar sua irmã recém nascida, outras parecia uma adolescente/adulta. Não consigo me convencer de que crianças comuns falam:

Jogo um pouco mais de sementes na bacia e limpo minhas mãos na camiseta. Mamãe faz cara feia. Vou até o balcão, e ela já colocou um banquinho para eu ficar em pé. Subo no banquinho e fico à frente dela. seus braços me envolvem; posso sentir a barriga grandona e o bebê lá dentro. Pág 14

Por mais que eu sempre estudasse muito e lesse bastante, eu não pensava que braços me envolviam, braços me abraçavam. Soa redundante? Claro, mas é uma criança e por mais que professores elogiem sua escrita, como é o caso da Maple, esse tipo de expressão me soou forçada. Em outros momentos parece mesmo que a autora esqueceu que era uma criança falando e se empolgou – ou será que essa impressão veio só da tradução?

Tirando esses pequenos desconfortos, eu acho que se acontecessem mais coisas fantásticas durante a jornada em busca da Mulher Sábia do lago o livro ficaria mais interessante. Aliás, adorei a lenda da Mulher Sábia, e como ela foi contada para as meninas, por canções. Achei mágico isso.

Ok, isso é coisa de fã de fantasia lendo um livro que não é de fantasia,  mas pelo que li nas resenhas, achava que a parte da Maple e sua irmã mais velha, Dawn, seriam bem chatinhas, mas o medo de se perderem ou de não conseguirem cumprir a missão de conseguir a água milagrosa para a bebê ficaram bem reais, considerando, claro, que eram crianças de 9 e 11 anos, respectivamente.

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Erin E. Moulton

Achei legal também Maple lembrando das lições que o pai a ensinava para situações de risco como se se perdesse na floresta. Lições bem simples e fáceis de captar, apropriadas para crianças. Pena que aqui só quem entra para os escoteiros tem essas noções.

A Jornada é um bom livro, uma história de amor fraternal bem bonitinha e com final feliz. Apesar de minhas reclamações, gostei da leitura. Recomendo!