Não são raras as obras que o inverso do que se espera, acontece, em relação ao personagens: As pessoas acabam odiando o herói e amando o vilão. Mas por que isso acontece? Não era para as pessoas se identificarem com um personagem que faz o bem? As pessoas são más? É um pouco mais complexo que isso, mas darei razões para os vilões serem mais carismáticos que os mocinhos.

Heróis costumam ter personalidade vazia

O que a gente mais vê em qualquer tipo de história, são heróis que simplesmente querem fazer o bem. Mas por que diabos eles querem fazer isso? Quando a resposta não é uma coisa básica do tipo “combater o mau”, acaba sendo algo repetitivo como “salvar o mundo” ou “a mulher amada” está em perigo. Poucas histórias realmente trabalham bem a motivação do herói, pois é fácil você aceitar que alguém faria algo bom simplesmente por fazer, mas, na prática, poucas pessoas saem dos seus empregos para salvarem bebês focas que estão sujos de petróleo. Na desnecessidade de explicar o motivo do herói fazer o bem, ele acaba sendo visto como um idiota imaturo.

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Vilões precisam convencer

Tá certo que existem vilões na ficção, daqueles dos filmes antigos do James Bond, que querem apenas destruir o mundo, sendo que eles mesmos vão morrer no processo, mas isso se tornou algo tão cômico, que para as pessoas levarem aquele personagem a sério, a motivação dele precisa ser minimamente convincente. Existem muitos indivíduos no mundo real que não se importam com os outros e querem tudo para eles, como políticos corruptos e isso é natural do ser humano. Somos egoístas por natureza e alguns de nós apenas pensam nos outros quando já estão um pouco satisfeitos com o que já tem.
Mesmo se um vilão não esteja agindo por egoísmo, é necessário justificar o porquê do que ele faz. Será que é alguma experiência traumática? Vingança? Ideologia? Pode ser que as pessoas não deixem o que elas fazem normalmente para ajudar os bebês focas, mas com certeza fariam loucuras motivadas por uma ideologia, por exemplo.

Isso mesmo! Senta a porrada!

Se projetar em um vilão, pode ser um escape da realidade. Imagina o Kratos, do God of War (que alguns dizem que ele é anti-herói, mas para isso, ele precisaria agir minimamente com altruísmo ou algo intenção boa por trás, o que nunca aconteceu). Você provavelmente não faria o que Kratos fez e não concorda com a ideia dele, mas é tão legal quando ele senta a porrada em todo mundo. É o que todos nós gostaríamos de fazer um dia: Despirocar totalmente, mandar todo mundo se fuder e começar a distribuir porrada.

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Heróis bundões

Por causa daquela fórmula da “jornada do herói”, o mocinho muitas vezes entra em questionamento se ele vai aceitar a sua tarefa ou não, desistindo no meio e depois voltando com tudo, diferente do vilão que quando ele resolve “tocar o puteiro”, é decidido no que faz. E para que o herói tenha um crescimento, geralmente o malfeitor tem que começar como o fodão, sendo um mero inseto perto da força do vilão e só vai conseguir mudar isso com muito trabalho duro.

E a lição que tiramos disso, crianças?

Expostos a mesma situação, o vilão é decidido e o herói fica confuso. O primeiro você se identifica com o sofrimento dele e no outro você simplesmente gosta, mesmo que inconscientemente, da decisão que ele tomou e o que ele se tornou.