Ah, o ano novo. Tempo de pensar no futuro, olhar para o passado e jogar os jogos que você não teve tempo pra zerar. E é nesse clima que eu escrevo a minha retrospectiva de jogos que eu pude jogar, e zerar, em 2011.

5- Prinny 2: Dawn of Operation Panties, Dood!(PSP)


A Nippon Ichi conseguiu levar o clima hardcore e cômico de seu rpg tático Disgaea ao spin-off de “Ação Sidescroller Hardcore” do prinny, um pingüim condenado a pagar pelos seus pecados na vida humana trabalhando exaustivamente 23 horas por dia, e ela conseguiu repetir a fórmula com sucesso ao levar os coitados em uma missão suicida para recuperar a calcinha preferida de sua mestra (uma menina que tem de má na mesma proporção que tem de falta de peito), levando-os a enfrentar os mais variados (e estranhos) inimigos e chefes nos mais variados lugares. Vale ressaltar as novidades do jogo como o novo sistema Break (que te deixa mais forte mas que é anulado ao primeiro dano), inclusão de achievements ( sempre apresentados por uma apresentadora de TV que adora falar algo “muito cosmopolita”) e a campanha secreta Asagi Wars, que conta a história da prinny Asagi (que morreu no primeiro jogo em sua campanha para se tornar um protagonista) tentando vencer o concurso de Asagis para enfim poder protagonizar um jogo. Porém o único defeito do jogo vai para a dublagem que às vezes, apesar de ser boa, não consegue entrar direito nos personagens. Enfim, é um jogo recomendado para aquele que quer um desafio portátil ou que quer testar a paciência ao encontrar o padrão perfeito para passar sem levar nem um dano.

4- Dissidia 012: Duodecim (PSP)


O primeiro Dissidia serviu como um presente para os ardorosos fãs de FF e a prova de que é possível unir gêneros tão distintos como RPG e luta. E, com o lançamento da pré-quência ela tenta explicar muitas das coisas que a história anterior (que é mais focada nos personagens e que não é lá muito profunda) ao mostrar o que aconteceu no 12º ciclo da “Batalha dos Deuses”, aonde o quinteto formado por Kain ( de FFIV), Tifa (de FFVII ), Laguna ( de FFVIII), Yuna (de FFX), Vaan (de FFXII) e Lightning ( de FFXIII) decidiu se sacrficar para obter uma chance de derrotar em definitivo Chaos, o Deus da Discórdia. Destaque para as poucas, mas significativas adições ao jogo como o sistema de parceiros (aonde você colocava um personagem pra te ajudar nas lutas), a possibilidade de criar grupos de até 5 personagens (que agora podem ter seus níveis ajustados para tornar a jogatina mais justa), a adição da Scenic Route, mundo aberto que substituiu os tabuleiros da versão anterior (agora transformados em Gateways), a adição de uma campanha alternativa e dos reports, que guardam desafios maiores (como inimigos com nível de até 130) e garantem recompensas igualmente grandiosas como a possibilidade de conhecer a origem de alguns personagens e de poder jogar com eles, como o egocêntrico Gilgamesh, a exploradora Prishe e o Chaos em sua forma mais agressiva . Mas, o jogo também tem seus defeitos como a inclusão da campanha original (que apesar de ser uma chance do jogador iniciante de conhecer a história completa, torna-se um parto pra quem jogou o anterior até os 100%), de alguns ângulos de câmera chatos, multiplayer apenas local e o fato de que este é um jogo para, e somente para, os fãs de FF, afastando alguns jogadores. Defeitos estes, que não são páreos para ofuscar o brilho desta que é uma das maiores pérolas do psp (e um de seus últimos sopros de vida antes da chegada do Vita).

3- Bastion (PC, Xbox, Chrome)


Quando a empresa Supergiant Games anunciou um jogo no qual o narrador servia não só como ponto central da história, mas também que comentava o jogo em tempo real, muita gente achou estranho, mas que logo depois adorou a ideia quando jogou o jogo, que conta a história de um garoto que tem a missão de explorar a terra de Caelondia com seu amplo arsenal (que vai de um martelo e um arco e flecha até um morteiro e uma bazuca, todas com direito a até 5 upgrades) para encontrar sobreviventes (entre eles o narrador e única voz do jogo), ativar o Bastion (uma espécie de HUB do jogo) e reverter os efeitos da “Calamidade”, evento que acabou por transformar a terra do jogo em um monte de ilhas flutuantes. Paisagens bonitas, coloridas e variadas que vão se formando conforme a progressão do protagonista pela fase, músicas que conseguem cativar e ambientar sem precisar entrar no estilo “God of War” de ser (fato que deu ao jogo os prêmios de Melhor Trilha Sonora Original e de Melhor Música em um jogo), uma jogabilidade refinada e uma história mais focada nos personagens e nas fases dão o toque desta obra-prima que, apesar de alguns defeitos como a modelagem do personagem destoar da do resto do jogo, conseguiu surpreender todo mundo, no bom sentido.

2- Dead Space 2 (PC, Xbox, PS3)


Dead Space foi o jogo que substituiu o lugar de Resident Evil e Silent Hill no quesito “jogo de terror” com as paisagens escuras e apertadas da Ishimura, os seus Necromorphs (seres alieníginas que apenas pensam em matar e parasitar seres vivos) e o Isaac, o engenheiro que apenas queria resgatar a sua namorada (que se matou antes da chegada dele) e sair daquele pesadelo. E, com o anúncio da sequência, muitas pessoas ficaram com medo de que a série se descaracterizasse com a mudança das paisagens industriais para os cenários urbanos de Sprawl (cidade localizada no que sobrou da maior lua de Saturno após ter sido minerada) e com o advento da fala pro Isaac (isto é mais pelo resultado que Samus recebeu em Metroid: Other M). Porém, a Visceral conseguiu contornar os problemas e deu uma experiência que consegue ser melhor do que o original, ao colocar novos inimigos nos cenários mais perturbadores (quem jogou o jogo e se lembra do capítulo que se passa na escola, por favor, comente sobre isso) e ao fazer nos identificar com o engenheiro que tenta sobreviver, com a experiência adquirida dentro da Ishimura, aos Necromorphs e aos Unitologistas (fanáticos religiosos que estão à procura da vida eterna através do Marker e dos alienígenas) enquanto tenta superar a morte de sua amada que agora o assombra devido à exposição prolongada ao Marker, que deixou sua mente psicologicamente em frangalhos. Destaque para as poucas, porém notáveis mudanças no jogo, como o sistema de hacking, uma expansão no arsenal junto com um upgrade no sistema de Power nodes (como o Spec node, que pode dar à Plasma Cutter propriedades incendiárias por exemplo) e uma reformulação nas cenas de gravidade zero ( sendo que agora pode-se andar em 360° devido à inclusão de um sistema de foguetes na armadura). Porém, existem alguns problemas como às vezes a ação tomar conta em vez do terror e o horrível modo multiplayer que, apesar de contar com uma história paralela ao jogo, não empolga e joga o terror no lixo ao deixar tudo com um clima de mata-mata generalizado. Defeitos estes que não impediram este jogo de se tornar um dos melhores jogos de terror dessa geração (ou até da história se for pra exagerar).

1-Portal 2 (PC, Xbox, PS3)


Portal foi uma grande surpresa que pulou de um jogo tapa-buraco do Orange Box (pacote que reúne os três episódios de Half-Life 2, o Team Fortress 2 e o Portal) para uma das maiores fontes de cultura nerd como a inteligência artificial cativantemente homicida GLaDOS, a música Still Alive e frases como “The cake is a lie!”. E com a sequência a Valve conseguiu pegar tudo que Portal trouxe e levar a um novo nível com a inclusão de personagens igualmente cativantes como o atrapalhado Weatley, o carismático, pirado e fundador da Aperture Science, Cave Johnson e o sempre alegre Space Core, a inclusão de novas mecânicas de jogo como os géis, o laser e o painel de propulsão para dar uma inovada nos puzzles (que, mesmo com o mais complicado, sempre tem uma solução simples e prática), cenários que conseguem variar e manter o mesmo ambiente ( o de que você está em um local de testes) e a inclusão de uma história que, apesar de mostrar fatos muito interessantes como o passado da Aperture e sua relação com a Black Mesa, é focada na fuga da protagonista Chell do local (aonde dormiu um sono criogênico por anos e acorda em uma Aperture tomada por vegetação e prestes a se autodestruir por falta de manutenção) e que consegue fazer piadas novas sem precisar recorrer a velhos elementos como o bolo. Destaque para a alegre inclusão do multiplayer cooperativo que conta a história de dois robôs que serviram de cobaias para a GLaDOS enquanto a protagonista estava dormindo e a criação do serviço Steamworks, que permite que jogadores de PC e PS3 possam jogar juntos (deixando os caixistas chupando dedo). Portal2 é, sem dúvida, um dos melhores jogos (senão o melhor jogo) que a Valve já fez até agora.
Menções (Realmente) Honrosas: The Witcher 2, Minecraft*, Battlefield 3, Call of Duty: MW3, Killzone 3, Resistance 3, Uncharted 3: Drake’s Deception, Dark Souls, Mortal Kombat, Ultimate Marvel Vs. Capcom 3, Serious Sam 3: BFE, The Legend of Zelda: Skyward Sword, The Elder Scrolls V: Skyrim, Gears of War 3, Sonic Generations, Assassin’s Creed: Revelations, Super Mario 3D Land, Batman Arkham City, etc.
Se eu esqueci algum jogo importante ou se você tiver alguma opinião sobre os jogos citados acima (ou se apenas você quiser falar de algo que você jogou ano passado), comente aí embaixo. E um Feliz Fim do Mundo para todos.
Nota: eu sei que Minecraft estava em fase de testes há mais de um ano, mas ele só foi lançado oficialmente em novembro, então ele entra na lista.