Esse final de semana tive a oportunidade de jogar A Fita com alguns membros do Coletivo Cult e do site On-Sekai. Como já havia dito na matéria sobre RPG nacional, era um sistema que estava muito interessado em testar, e com a liberação da versão 2.0 achei que tinha chegado a hora, mas foi graças a um podcast de playtest do próprio criador do jogo, Diego Astaurete, que vi como o jogo era simples, rápido e permitia interação ágil e entendimento mais rápido ainda de regras, afinal são bem simples.

A Fita é um RPG Narrativo que não se utiliza de mestre, isso mesmo ninguém é responsável pelo jogo senão todos que estão na mesa. Como assim? Você me pergunta acostumado a tantos jogos como Dungeons and Dragons e Vampiro: a Máscara, e a resposta é simples todos são mestres e todos narram.
O objetivo de A Fita é contar uma história de Fount Footage, ou seja, tudo pelos olhos de uma mídia de gravação, seja ela câmera, celular, ou outra ideia que o grupo possa ter, aliada a uma história de suspense, não propriamente terror como expliquei para os jogadores, apesar de estarmos mais acostumados com filmes assim que usam o terror como tema (REC, Diário dos Mortos, V/H/S, etc), filmes com temáticas de suspense a lá Bruxa de Blair (maior inspiração para esse estilo) e filmes policiais, com mistérios relacionados a crimes, também são muito bem vindos, o importante é tentar de alguma forma ligar os fatos que estão sendo criados, e em um determinado ponto escolhido pelos jogadores encerrá-la, e entre eles discutirem o que acham que aconteceu realmente no que foi “visto”. Para isso cada jogador recebe pontos de Vídeo, que são usados para acrescentar protagonistas, criar locações (lugares onde vão ocorrer as cenas), outras câmeras e em especial adicionar tempo.

Tempo, talvez essa seja a melhor ideia do jogo. Depois de serem criados os protagonistas e locações onde ocorrerão a história, um dos jogadores pode escolher começar, não há rolagem, não a testes, quem tiver com ideia para um começo (e se todos tiverem de acordo) começa a narrar, para isso ele escolhe quanto tempo quer, para cada 1 ponto de vídeo gasto ele tem direito a 15s, e ai que entra o cronômetro, ter um a disposição hoje em dia é simples, eu mesmo usei o meu celular para isso, não há limite de coisas possíveis para a narrativa ou o que pode ser colocado exceto o próprio tempo que foi escolhido, o que o jogador falar na sua vez vai para o vídeo, o jogador em questão nessa hora vira o Diretor e os outros jogadores os Editores, que poderão alterar coisas oferecendo pontos de vídeo em troca de mudanças na narrativa do “diretor” ou mesmo vetando coisas que acharem desnecessárias a história.
Se você conhece bem seus amigos sabe que eles podem apelar para bizarrices, afinal ninguém esta em harmonia perfeita com o pensamento alheio, ou até pode estar, mas alguém pode mudar completamente o rumo da história, se no começo você pensou em por uma abdução alienígena mas alguém na mesa enfiou no meio na historia um zumbi, e essa é a diversão do jogo, não há um desfecho pré definido, ninguém sabe para onde a historia vai ir, se teve algo quer percebi dentro do meu grupo de jogo é que a narração de um dava ideia para outro que super estava se empolgando para continuar porque tinha uma ideia mirabolante. Fizemos duas aventuras no dia, na primeira vez que testamos o jogos raramente saia dos 15s cada narração, na segunda aventura eram pego de 45s até 90s (1:30) para fazerem a narração, o pessoal se soltou mesmo na criação da segunda Fita.

A fita foto de ficha

 

Posso aproveitar para dar uma dicas para quem quer começar a jogar, pelo que eu aprendi em mesa e forem fazer sua primeira história, depois da primeira você já vai ter pego a ideia e poderá ter suas próprias dicas.

-Antes de começar crie uma sinopse, não deixe solto, eu tentei isso e não foi bom, o próprio quickstart recomenda isso. Diga onde e possíveis personagens são permitidos, a mente humana pode criar muitas coisas bizarras como ninjas em industrias de estudos genéticos, como foi meu caso, portanto conversam entre todos e escolham um lugar. Minha segunda aventura foi em uma casa assombrada, usar esse ideia já faz muita diferença no que os jogadores podem esperar;

-Dê limite de protagonistas, na primeira história ficou um entra e sai de protagonistas, morre um entra outro que mata o outro, e isso foi uma confusão, portanto, limite;

-Se alguém narrou algo e ninguém na mesa não gostou da história, os jogadores podem vetar que aquilo aconteceu, e ele se torna um borrão, eu não usei isso deixei ao bel prazer, fui lembrado disso depois pelo próprio Diego;

-Use aventuras já conhecida por seus jogadores se estes forem veteranos de RPG, eu mesmo dei a ideia de uma aventura de Rastro de Cthulhu usando os próprios personagens dos jogadores na segunda história (da casa mal assombrada), ver eles usarem os personagens e cenários conhecidos mas com a ótica deles é sensacional. Recomendo até quem já jogou tentar isso, o desfecho pode mudar drasticamente;

-Para quem já jogou também recomendo a tentar explorar o sistema. A Fita permite muito mais que apenas jogar usando câmeras, pretendo um dia usar A Fita com Tormenta RPG, absurdo, ousado você pode achar, mas em Tormenta há o Sumo Sacerdote de Tanna-Toh que permite que você saiba e veja tudo contanto que faça as perguntas certas, conversando com o autor do jogo e falando dessa ideia ele também deu a ideia de usar espelhos amaldiçoados, ou seja, não há limitação senão a própria mente humana, isso já foi usado com Terra Devastada e isso que me deu a ideia.

Apesar do sistema não estar concluído ainda, um livro final será lançado pela Editora Retropunk, no site da Editora é possível já baixar o Quickstarter e você não terá qualquer problema com o jogo mesmo nesse formato, ele é bem redondo e permite ótimas horas de insanidade e narrativa com os amigos.

A fita quick started

 

Para encerrar, devo dizer que o sistema faz o papel de mestre mais tranquilo para aqueles dias sem ideias de aventura, e também porque os jogadores ajudam a criar um enredo que pode ser usado depois como gancho de aventura, afinal apesar de ter as fichas no final do livro um grupo experiente nem vai usar mais eles, mas para quem esta começando aconselho grandemente, eles são de ótima ajuda, com o tempo a história se torna mais interessante que as regras e vocês podem acabar chutando os pontos de áudio, e as anotações pela simples curiosidade na historia, no que pode acontecer e no que seus amigos vão criar.Como adicional a essa matéria em primeira mão (acredito eu), conversando com o autor ele liberou uma alteração que está indo para o livro final e que sinceridade estou ansioso para já usar na próxima estoria de A Fita, vamos ver o que encontraremos na próxima gravação.Nova Regra de Adversidade
“Você no começo define um número maldito. Sempre que esse número aparecer no cronômetro ao final de um turno, o próximo diretor é obrigado a narrar uma cena de adversidade. Cada adversidade representa algo estranho…3 adversidades e alguém deve morrer.

1 Ponto de adversidade algo estranho acontece

2 Pontos a coisa começa a ficar seria

3 Pontos alguém morre

Facebook do jogo: http://www.facebook.com/afitarpg

Quickstarter oficial do jogo: http://portal.retropunk.net/?q=node%2F679

Podcast da aventura do Autor: http://www.mediafire.com/?ml2f9af45r5l8wl

Esse artigo é uma colaboração de Necrokure.