Remember, remember the fifth of november.

Repressão. O governo é duro, cheio de regras, censuras e sem espaço para a ousadia. Os Estados Unidos deixaram de ser uma superpotência e precisa lidar com as consequencias de uma pandemia causada pelo vírus de Santa Maria.

Numa noite qualquer do ano de 2020, depois do toque de recolher, a jovem Evey Hammond (Natalie Portman) é abordada pelos agentes da polícia secreta, conhecida como os Homens-Dedo . Sozinha, com as ruas completamente vazias, o medo se apoderando dela e vendo-se sem saída…eis que surge um misterioso mascarado que dá cabo da vida dos agentes. Ele salva sua vida.

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Em seguida, o misterioso salvador, que quer ser conhecido como V (Hugo Weaving), leva Evey para o topo de um prédio para assistir a destruição, em meio a fogos de artifício, do Old Bailey, causada pelo próprio. O destino, ou se preferir, o roteiro, se encarregaria de unir o destino dos dois personagens mais a frente.

O Fogo Nórdico, o terrível partido político que está no governo, deu uma desculpa a respeito do ato, defendendo-se de perguntas afirmando ter sido essa uma demolição de emergência. Entretanto, V invade a transmissão da televisão estatal para assumir a responsabilidade do ataque e inscitando as pessoas a se rebelarem contra o governo no dia 5 de novembro. Só que Evey trabalha na televisão e na fuga de V, eles acabam se encontrando, e ela, sentindo-se endividada por ter sido salva por ele, o ajuda a escapar.

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Por trás desta máscara há mais do que carne e sangue; por trás desta máscara há uma ideia, e as ideias são à prova de bala.

Baseado na história em quadrinho homônima escrita por Alan Moore (A liga extraordinária, Watchmen) e desenhada por David Lloyd (Hellblazer), o filme V de Vingança foi dirigido por James McTeigue e produzido por Joe Silver e pelos irmãos Wachowski (Matrix), que escreveram o roteiro. Alan Moore é conhecido por não se envolver em adaptações de suas obras, e com esse título não seria diferente.

Apesar da falta da aprovação do Moore, que pediu que seu nome não aparecesse nem nos créditos do filme, esta é uma das melhores adaptações que já tivemos dos quadrinhos. O regime fascista nessa Inglaterra distópica, sob o comando ferrenho do Alto Chanceler Adam Sutler (John Hurt) é combatido por um fruto do próprio governo. 5 de novembro é a data escolhida por V para acabar com o autoritarismo, para isso, várias medidas são tomadas na surdina, para que o grande feito aconteça na data marcada.

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Aos poucos as pessoas acabam sendo tocadas pelas ideias de V. A homofobia, a censura, a vigilância constante são condições indignas de vida. É uma crítica a vários governos, inclusive aqueles que defendem a bandeira da democracia.

O filme trabalha bem uma série de referências usadas na construção do enredo e dos personagens da HQ, mas que deixarei para serem abordadas numa resenha sobre os quadrinhos. O sucesso nos cinemas alavancou as vendas da HQ e, consequentemente, das máscaras de V.

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O desfecho que ele teve foi um dos mais incríveis. Muitos podem achar que sua luta foi em vão, ou até mesmo desmerecem todo o longa por não terem um final de conto de fadas. V lutou o tempo todo para destruir o paradigma do governo. Alcançariam a democracia depois de um período tão complicado? O filme não dá essa resposta, mas mostra a importância da luta.

Vi veri veniversum vivus vici.

(Pelo poder da verdade, eu, enquanto vivo, conquistei o universo.)