Avi Arad, autor deste incrível mangá one-shot, descreve seu tema como “a linha tênue entre a vida e a morte, o pecado, a inocência e o pagamento”. É nessa “corda bamba” que nos equilibramos pelas páginas desta obra.
Existe um comitê, o Comitê angelical, dedicado a evitar que inocentes executados injustamente passem pelo “Portal do Julgamento”. Angel um anjo (oh, wow) feminino (se é que anjos têm gênero) é a responsável por guiar Ash, condenado à cadeira elétrica depois de ser injustamente acusado de ter matado alguém, para cumprir uma missão que pode salvar sua alma: salvar outro humano que está prestes a ser executado injustamente. Se não cumpri-la, Ash (quer dizer, a alma dele) vai desaparecer por completo do mundo.
Mas Ash é um cara estranho. Quando descobre estar morto, não se desespera, não implora por uma segunda chance… Apenas aceita calmamente o fato. Ao voltar ao mundo humano, Angel lhe explica que ele é invisível, mas seu corpo é formado de cinzas (adorei o trocadilho de Ash e “ashes”), e pode formar coisas com essas cinzas de seu corpo, como, por exemplo, uma faca. Ele não pode morrer, a não ser que sinta a morte novamente; aí também desaparecia por completo.
Ele então é apresentado a Mila Jones, irmã de Joshua, o humano que deve salvar, provando sua inocência. Mila tem um CD que prova que Joshua não estava na cena do crime de que era acusado, mas há pessoas a seguindo em busca do CD. Quando elas a atacam, Ash descobre que as pessoas por trás da acusação injusta de Joshua também são responsáveis pela sua própria execução: uma organização chamada Fablo, envolvida com narcotráfico e corrupção, liderada por Flame. Ash o odeia por ter quase levado sua irmã a morte. E agora ele fará de tudo para ter sua vingança.the-innocent-manga

Nesse meio tempo, também terá que encarar Rain Evans, sua amiga e a advogada que o levou à condenação – mas que foi apaixonada por ele, e amaina a culpa sempre dizendo que apenas cumpre a lei; o drama de Angel, que já perdera o brilho de suas asas após uma alma sob seus cuidados desaparecer, e pode perder totalmente suas asas se Ash desaparecer também; e Wal, um cara muito estranho, doentio, que consegue ver Ash e adora brincar… com uma faca.

Realmente gostei muito desse mangá, a trama é ótima, envolvente, e quase não deixa tempo para respirar. O único ponto negativo é que continuei com algumas dúvidas ao fim do mangá. Não dá pra ter certeza, por exemplo, seu um “ele” de quem Angel sempre fala é a alma que ela perdeu, ou se é alguma outra alma, com poderes especiais. Entre outras coisinhas, que prefiro não descrever em detalhes para não correr o risco de soltar spoilers.

The Innocent nasceu de uma inusitada parceria: Avi Arad, israelense radicado nos EUA; Junichi Fujisaku, roteirista japonês; e Yasung Ko, desenhista coreano. Mas parece que foi uma mistura que deu certo: The Innocent com certeza vale a pena.

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The Innocent (volume único)
História: Avi Arad
Roteiro: Junichi Fujisaku
Arte: Yasung Ko
Editora JBC

Preço: R$ 10,90