Ainda estou pra entender o motivo de toda matéria que eu faço sobre jogos começar com “Tudo teve início lá nos idos de mil-novessentos-e-guaraná-de-rolha quando começei a jogar Diablo no PlayStation, que demorava um banho e um jantar até terminar de salvar~” etc. Acho que realmente a idade tá começando a pegar, ou eu que tenho mania de seguir os grandes clássicos que fizeram diferença na minha vida gamer. Sem dúvida um deles foi a franquia Diablo, que culminou com Diablo III esse ano.

Diablo - Um pouco antes do Butcher

Diablo – Um pouco antes do Butcher

Diablo era genial. Tinha uma aura macabra sem igual para a época (1996 – lançamento) e sua jogabilidade era novidade. Intenso, cheio de falas e histórias interessantes que nos faziam entrar no ritmo dos acontecimentos de Tristram, acabou marcando época como um RPG de exímia qualidade. Depois de longos anos de hiatus (como seria de se esperar da Blizzard Entertainment) veio Diablo II – esse sim, passei anos jogando. A idéia de fazer um personagem e sair matando inimigos a fim de conquistar o melhor item era simplesmente sensacional. Nós, jogadores de DII, passávamos horas e mais horas matando Mephisto, Baal ou Pindle a fim de discolar aquele StormShield ideal ou aquela Vampire Gaze perfeita. Bons tempos.

Ah, o StormShield com runa "Um!"

Ah, o StormShield com runa “Um!”

Foi usando desse apelo saudosista partilhado por muitos jogadores em relação ao segundo jogo da série que a Blizzard, depois de longos doze anos, lançou Diablo III. E acho que desse choque muitos de vocês ainda lembram. Cheio de bugs, completamente desbalanceado, incompleto (sem PvP, por exemplo) e com uma economia quebrada em virtude da utilização de dinheiro real na Casa de Leilão, DIII sobreviveu pura e simplesmente da sensação partilhada por muitos:

“Cara, é DII com gráficos bons, não importa se é ruim eu me sinto jogando DII novamente!”
– Milhares de jogadores ao redor do globo.

Essa sensação, todavia, tinha prazo de validade. Em dentro de dois meses mais de 60% dos jogadores que haviam aderido na data de lançamento havia simplesmente abandonado o jogo. Não conseguiam fazer Inferno (a dificuldade mais voraz – objetivo de muitos) sozinhos a não ser que tivessem investido dinheiro em equipamentos e ainda assim: só como Bárbaro e Monge. Ao invés de melhorar as coisas a Blizzard insistia em nerfar (enfraquecer os personagens fortes demais para balancear, ao invés de fortalecer os outros – ou buffar). Foi uma série de decepções que deixaram nós, fãs da franquia, com um gosto amargo na garganta.

diablo 3 error

Foi então que em Setembro desse ano lançaram Diablo III para consoles (PS3 e XBOX).

A primeira sensação quando comecei foi “Todo Diablo deveria ser assim”. Os controles são simples, a jogabilidade perfeita e intuitiva – é um estilo de jogo onde o controle e encaixa como uma luva, comparado ao truncado teclado & mouse. Os gráficos estão ótimos, não dando baixa de FPS em nenhuma cena, acompanhando a trilha sonora idêntica à original. Os drops (itens mágicos que conseguimos matando inimigos) estão muito mais altos – jogando na dificuldade inicial, do Ato I ao Ato IV caíram doze (sim, doze) itens lendários. Muitos comentaristas de jogos têm se referido à DIII como “Jogamos a versão BETA no PC durante muito tempo, finalmente lançaram o verdadeiro – mas só para consoles”. Ainda assim, nem tudo nesse mar é rosas.

Não há Casa de Leilão no console. O problema com ela era o dinheiro real, não a economia virtual, e viver sem Leilão é complicado!! Depois do trauma de Diablo III no PC fiquei feliz ao ver que ela não existia mais, todavia isso durou uns 40 minutos. A dinâmica econômica em um jogo é extremamente divertida e serve a um propósito: permitir que você faça o ouro girar ao vender itens que você nunca utilizaria em virtude dos status e qualidades deles, adquirindo outros que têm de serventia. Como a Blizzard tentou corrigir isso? Para o meu pavor, na dificuldade Normal todos os drops tinham atributos viciados para meu personagem, ou seja: Destreza e Vida por Acerto. Tudo vinha com isso, tudo. Mas nada tema: na dificuldade Pesadelo em diante tudo volta a como era antes – items com status aleatórios o suficiente. Ufa!!

diablo3ps3

Vocês que como eu jogaram Diablo III em inglês, provavelmente estão se revirando na cadeira ao ver os termos todos em Português, não é? Poisé: não temos mais essa escolha. Se você quiser jogar no seu console terá que optar por Espanhol ou PT-BR. Sim, vozes inclusas. Sim, 95% dos personagens são cariocas e tem um ou outro paulista. Sim, somente um ou outro se salva do “Diálogo ultra-épico” VS. “Falta de emoção patológica”. Infelizmente, comparado com a qualidade em Inglês, nossa dublagem deixa a desejar – nada que não acostume com o tempo. Não temos escolha mesmo.

Por fim talvez a melhor característida do terceiro título da franquia nos consoles venha a ser a plataforma multi-jogador. Basta pegar quatro controles e entregar para seus amigos que voilá: já podem começar a jogar partilhando da mesma tela, sentados no sofá. A pergunta que fica é se vale a pena investir denovo num jogo que deixou tanto a desejar, não é? Respondo com outra pergunta: quanto vale a saudosa sensação de jogar Diablo II, e dessa vez sem frustrações?

Versão Jogada: PS3