A primeira vez que eu ouvir falar desse quadrinho, pensei que era uma forçação de barra tentar adaptar o conto de natal de Charles Dickens, mas, mesmo assim, resolvi dar uma conferida, pois existem poucos materiais em português sobre essa obra, o “Batman Noel”.

Eu já posso começar falando que me surpreendi. Algumas pessoas tem o dom de pegarem um enredo que não parece ser grande coisa e empolgar as pessoas na forma de contá-lo e essa HQ faz isso com maestria através de uma narração em terceira pessoa, que se não fosse bem feita, poderia deixa tudo monótono, mas o roteirista acertou a mão, conseguindo empolgar e adaptar bem um material que parecia ser impossível de ser bem executado da forma que foi.

A história fala sobre um Batman amargurado, em uma fase que fazer o seu trabalho era a única coisa que importava, mesmo que para isso a vida de pessoas comuns estivessem em risco. Não espere figuras fantasmagóricas visitando o morcegão, pois pessoas vão substituir os espíritos da história original, mostrando as consequências dos atos do herói no passado, presente e futuro.

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Se o enredo é bem contado, a arte teria que complementar o conjunto da obra e ela realmente conseguiu. Dá para ver que o desenho, tanto nas cores, quanto no traço, foram feitos com um capricho de algo para ser memorável, diferente das famigeradas HQs semanais da DC que são feitas de última hora. O clima da cena e o cenário de natal com neve expressam muito bem a sensação de solidão que o Batman está sentido, além do próprio cansaço e obsessão que o personagem tem por combater o crime depois de tanto tempo.

É sempre bom ver como autores são criativos em adaptar histórias de formas tão diferentes, pois desperta a curiosidade das pessoas em saber as diferenças e igualdades. No final das contas, essa HQ conseguiu passar a mesma mensagem da história original, que é o resgate do que eramos no passado, vendo que a amargura machuca outras pessoas. Uma excelente pedida para se ler no período de festas natalinas.

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