Quando eu penso em um filme baseado em histórias reais, já imagino que o enredo que ele quer contar é tão bom quanto uma ficção. Tá certo que a sensação de saber que aquilo realmente aconteceu, dá um gostinho a mais em uma história não tão impressionante assim. O problema de tudo isso é quando se aproveitam da fama de uma personalidade para contar a sua história, que muitas vezes não tem nada demais e esse é o caso de “Somos tão jovens”.

Legião Urbana dispensa apresentações, mas caso alguém que esteja lendo isso aqui tenha passado os últimos anos congelado em uma câmara criogênica, saiba que ela foi uma banda de bastante sucesso nos anos 90 e até hoje conquista fãs na mesma quantidade que coleciona odiadores. Essa repercussão foi conquistada por causa do estilo de composição instrumental simples e letras complexas, formando um contraste que é harmonioso para alguns e pobre para outros. Pois bem, é sobre essa banda que o filme visa contar uma história, que me decepcionou do começo ao fim.

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O pior do enredo desse longa são as oportunidades perdidas, como eles tocarem muito de leve questões como quem estava em Brasília naquela época, que eram um monte de filhos de autoridades que não tinham o que fazer naquela cidade que tinha acabado de se formar, mas recebiam influências estrangeiras em tempo de ditadura, justamente por terem acesso a materiais de outros países. Como a história da banda não era lá muito empolgante, esse destaque para um cenário histórico poderia ter salvado o filme da mediocridade.

Também não entendi a escolha deles mostrarem apenas a trajetória da banda antes do sucesso, pois poderiam muito bem ter cortado um monte de enrolação e mostrado o que seria a melhor parte do filme, que é o sucesso do “Legião Urbana” e como os integrantes lidaram com isso.

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A pergunta que a equipe desse longa deve ter feito é: Nós realmente temos uma boa história em mãos ou simplesmente vamos lançar algo com o nome da banda para ver se vende? Acredito que devem ter escolhido a segunda opção, pois o filme se arrasta em uma monotonia e acaba logo quando poderia ficar interessante. Não que ele seja de todo ruim, pois ele tem ainda as canções da banda durante vários trechos, funcionando como se fosse um show cover em tela grande, além de suas piadinhas que algumas vezes quase me arrancaram algum sorriso.

A direção é um dos pontos positivos, pois os atores sabem o que fazer e as cenas refletem o sentimento da época, mas um filme tem que contar uma boa história, o que ele não faz, sendo que os aspectos técnicos não compensam.

Eu sei que os fãs vão me crucificar por não ter gostado desse filme, pessoas que provavelmente se sentiram felizes apenas de ver a história de sua banda preferida no cinema, mas eu não recomendo o recomendo nem para quem é fã, pois embora exista uma chance da pessoa gostar, eu não quero ser responsável por indicar algo que não acredito.

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