Já fazia algum tempo que os fãs estavam pedindo a volta de Parasite Eve, cujo último jogo até então tinha saído para primeiro playstation. A Square ouviu e em 2010 lançou “Parasite Eve The 3rd Bithday” que ainda não se sabe se é um spinoff ou legítimo terceiro jogo da franquia.

De qualquer forma, ele inicia logo depois dos eventos finais de “Parasite Eve II”, embora a protagonista Aya, não sabia quem ela é e suas habilidades estão sendo usadas por um grupo que deseja mudar o passado. Para isso eles têm uma máquina que amplia o poder da protagonista de possuir corpos, mandando a consciência dela retornar aos eventos que destruíram Nova York, embora sem nenhuma certeza que aquilo vai dar certo. Esse enredo é a pior parte do game, pois é muito confuso em algo que poderia ser objetivo, com reviravoltas que é melhor nem tentar entender o que está acontecendo e uma protagonista poderosa, que sabe usar várias armas de fogo e tem um poder enorme, mas aceita as pessoas destratarem ela, como que só por causa dela ser mulher, vai ter que ser passiva, o que é um pouco justificado pelo fato da amnesia que ela sofreu, mas mesmo assim não faz muito sentido.

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Quando Aya possui o corpo de alguém, mesmo que ela não esteja lá, o jogador a está vendo e acredito que a própria personagem também se vê naquele corpo como se fosse o seu. A lógica da produtora foi pensar que, como é uma mulher que o jogador controla, por que não deixar ela quase sem roupa? Assim, a vestimenta imaginária de Aya se rasga mostrando tudo que dá para exibir sem chegar a ser nudez. Apenas o ato de colocar algo desse tipo em um jogo que quer contar uma história séria, já é algo forçado, e piora ainda mais analisando o contexto de que algo que não existe não precisa rasgar. O próprio jogo te mostra isso nas cenas não interativas que rodam na própria engine, nas quais a roupa de Aya aparece normal.

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Se o jogo é falho no enredo, tudo isso é compensado por outros aspectos, começando pela jogabilidade. Assim como nos jogos anteriores, a mira é automática, sendo necessário desviar dos ataques inimigos enquanto atira (lembrando que o psp só tem um analógico, ficando difícil fazer um jogo satisfatório de mirar e atirar ao mesmo tempo de outra maneira), mas agora ela tem o overdive, que faz com que ela possa mudar de corpo entre vários soldados que aparecem, sendo possível até combinar ataques. Se o inimigo está recebendo uma grande quantidade de dano, ainda é possível saltar para o corpo dele e aumentar o estrago. Com o decorrer do jogo, pode-se comprar armas novas ou melhorar as antigas, embora tudo isso é limitado pelo nível de pericia conseguido em cada arma. Aya além de passar de nível e ficar mais forte, pode também equipar cadeias de dna em um complexo esquema que as vezes você tem que desistir de algo para conseguir outra coisa melhor. A primeira vista parece uma mecânica simples que vai enjoar fácil, entretanto a dificuldade acima da média, variedade e design de fases de “Parasite Eve The 3rd bithday” obriga o jogador a sempre usar tudo de diferentes formas, desde tirando soldados do raio de ação do inimigo, até se protegendo em barricadas e esperando o melhor momento para atirar no ponto fraco de um inimigo poderosíssimo, que com 3 golpes consegue derrotar Aya, embora ela pode mudar de corpo para evitar a morte.

O trabalho artístico nesse jogo levou o psp ao limite. É incrível como cenários gigantes, cheios de inimigos, rodam sem quedas de quadro. Cenas não interativas rodando na própria engine do jogo parecem pré-renderizadas de tão bem feitas que estão. Tudo isso somado a uma trilha empolgante e as vezes épica.

Se não fosse os deslizes no enredo, construção de personagens e a gratuidade dos fanservices, esse jogo poderia ter sido um dos melhores do primeiro portátil da Sony. De qualquer forma vale a pena jogar pelo gameplay empolgante e desafiador.

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