É o ano de 2003 em Virginia, USA, quando o agente do FBI Ryan Hardy investiga assassinatos em série que aparentemente seguem uma linha muito peculiar: têm ligação com obras do poeta Edgar Allan Poe. Somente mulheres caem como vítimas, tendo seus olhos arrancados brutalmente. A fim de aprofundar seu conhecimento sobre o tema, as pesquisas do agente o levam a conhecer o professor de literatura Joe Carroll que tem como especialidade as obras do poeta, além de ser dotado de uma personalidade magnética. O assassino aparentemente vê nas obras de Poe uma estética poética que vai além da vida, morte e da ética como a conhecemos, dando lugar a uma brutal e sanguinolenta moral pessoal de elevação da alma à partir da beleza gótica. Já é tarde quando Hardy descobre que o serial-killer é, na verdade, o próprio Carroll. O professor esfaqueia o agente logo acima do coração, enquanto ele próprio recebe um disparo de pistola, desmaiando logo em seguida.


Ryan Hardy

É o ano de 2013, Joe Carroll espera no corredor da morte a conclusão da sua sentença. Ryan Hardy aposentou-se da agência já há muito tempo, ainda mais com a justificativa do seu ferimento: agora precisa do auxílio de um marca-passo para manter-se vivo. Sobrevive financeiramente do sucesso do seu livro baseado no caso Carroll, entitulado “A Poesia de um Assassino”, enquanto afunda gradualmente no álcool, lançando mão da sua genialidade investigativa. Estamos no seu desarrumado apartamento quando toca o telefone – ele acorda mas não atende. Liga a TV enquanto levanta-se, mas o noticiário chama a sua atenção: cobre a audaciosa fuga do serial-killer Joe Carroll da penitenciária de Virginia durante a última madrugada.

Joe Carroll

É nesse clima que começa a mais nova série televisiva produzida pela Outerbanks Entertainement e a Warner Bros: The Following. O programa estreiou no último dia 21 de Janeiro contando com Kevin Bacon no papel do agente Hardy e James Purefoy como o assassino Carroll, trazendo portanto elenco de peso para a produção escrita por Kevin Williamson e dirigida por Marcos Siega.

A história que conta até então com cinco episódios (o sexto saindo dia 28 de fevereiro) descreve a luta por justiça de um protagonista que caiu na brutal e feroz realidade dos crimes de seu antagonista: um gênio tático e poético que teceu cuidadosamente uma teia de vingança e culpa ao redor do herói caído. Hardy, em virtude das circunstâncias, volta a trabalhar na agência como consultor do caso mas mal sabe ele que entra no território de um inimigo que se preparou muito bem nos últimos 10 anos em que esteve em reclusão.

The Following cast

Tenho assistido à série com frequência semanal e devo dizer que estou realmente feliz com a qualidade do programa. A obra marca o retorno de um gênero que há tempos têm tido dificuldade em causar real emoção no público: o Suspense. Em meio a produções cheias de clichés e tramas rasas e desinteligentes, The Following consegue colocar o espectador no papel de Ryan Hardy e partilhar da sua surpresa, desespero e aflição ao passo que desvenda o plano cuidadoso do seu antagonista. A genialidade de Joe Carroll transparece ao passo que Hardy pisa em falso sobre mais uma de suas armadilhas morais, criando a sensação de estar à mercê dos planos de um vilão aparentemente imbatível. É essa inteligência baseada na ação-e-reação, em um planejamento estratégico que engloba acertos e falhas, quase como um jogo de xadrez, que faz dessa série uma doce lembrança de filmes como Xeque-mate (Lucky Number Slevin, 2006) e séries como a tão aclamada BBC Sherlock (2010). Definitivamente vale checar os 44 minutos de seu episódio piloto correndo o risco de, como eu, tornar-se fiel espectador!