Em clima de Halloween atrasado, vou lhes falar um pouco desta que ganhou sua fama como uma terrível história de terror, mas que hoje é muito mais reconhecida como uma história de amor não correspondido…

O livro de Gaston Leroux é um suspense com toques de terror que conta sobre Erik, um homem que vivia nos subterrâneos do Teatro de Paris, totalmente deformado: um rosto horrendo, sem nariz, sem lábios, e olhos tão fundos que mal podiam ser vistos; algumas mechas de cabelo mal cobrem sua cabeça; uma pele amarelada, parecendo couro velho, esticada sobre um corpo tão magro, que parece feito só de ossos; e todo ele cheirava a morte, putrefação. Mas, o que a natureza lhe tirou em beleza, lhe concedeu em genialidade. Erik era um especialista em criar labirintos, um ótimo administrador e um gênio musical. Agindo como se fosse uma voz do além, Erik treina Christine Daaé, uma jovem corista, desenvolvendo suas habilidades vocais a tal ponto que tomaria o lugar da primadonna. Nesse ínterim, Erik se apaixona perdidamente por Christine, e acredita poder conquistá-la. Mas não contava com a aparição de Raoul, o Visconde de Chagny, amigo de infância e primeiro amor de Christine. Erik, em sua mente doentia, obcecado por Christine, é capaz de fazer qualquer coisa para tê-la… inclusive matar.

A escrita de Leroux é de um jeito tal que nos faz acreditar que estamos lendo um relato de fatos reais. Nessa linha muito tênue entre ficção e realidade, nós, envolvidos não só pelos protagonistas, mas por suas misteriosas e intrigantes personagens secundárias, somos arrastados para dentro desse livro de forma impressionante, a ponto de até sermos capazes de ouvir o Anjo da Música…

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O livro “O Fantasma da Ópera” teve apenas um breve sucesso quando lançado, e depois caiu no esquecimento. Mais de uma década depois, numa conversa casual com o então presidente da Universal Pictures, Carl Laemmle, Leroux deu seu livro de presente; Laemmle o leu em uma noite. Ele tinha um ator perfeito para representar O Fantasma – Lon Chaney – e comprou os direitos. O filme foi um estrondoso sucesso e apavorava a plateia, a ponto de as senhoras desmaiarem de terror.

Muitas outras adaptações vieram com o tempo. Vários outros filmes – um deles, inclusive, em que o fantasma é interpretado por Robert Englund, que continua praticamente com a mesma cara do Freddy Kruger mesmo a história sendo outra – e séries de TV – uma delas brasileira, exibida pela Rede Manchete em 1991 – vieram depois disso. Mas foi o musical de Andrew Lloyd Webber que acabou consagrando a imagem que hoje temos dessa história: uma história de um amor impossível entre um homem horrendo e uma bela cantora.

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E, se tudo isso ainda não for suficiente, você pode ir atrás de ler também O Fantasma de Manhattan, escrito por ninguém menos que Frederick Forsyth, consagrado autor de romances de ação. Em sua obra, parte da premissa de que, após os fatos narrados no livro de Leroux, Erik foi para os Estados Unidos, e passou a usar suas habilidades para criar atrações incríveis em Coney Island, e assim fez fortuna. Anos depois, reencontra Christine Daaé, que vai para lá fazer uma apresentação. E traz consigo um segredo, que Erik nem poderia imaginar. Este livro também foi levado aos palcos por Webber, no musical intitulado Love Never Dies.

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O Fantasma da Ópera também teve uma inovadora adaptação brasileira para teatro, “Erik”, escrita e dirigida por Stéphanie “Stedy” Marconi, e… Epa, não isso não precisa e nem devia estar aqui… É melhor eu ir agora!