Um jogo indie vem me chamando à atenção há alguns dias, por dois motivos simples: seu lançamento pela loja brasileira Kobold Den’s, confirmada até então para metade de novembro, e segundo pelo fato do sistema de criação de personagem ser extremamente rápido e simples, além do horror pessoal ser mais evidente que o dos cenários do Mundo das Trevas da White Wolf (pelo menos em regras).

Monsterhearts é um hack feito sobre o sistema de Apocalypse World, criado por Joe Mcdaldno é um cenário sobre a paixão adolescente entre mortais e criaturas que são considerados monstros, que pode muito bem fazer você torcer seu nariz devido ao primeiro pensamento que vem a mente: um jogo sobre Crepúsculo. Mas se engana aquele que acredita nisso. O mundo dos cinemas sempre foi cercado por esse estilo de romance, desde a clássica série Buffy, que foi um dos principais causadores do projeto, passando por Jovens Bruxas, Ghost – do outro lado da vida, O Corvo, Ginger Snaps (Possuídas, aqui no Brasil), Sangue e Chocolate, Garotos Perdidos, Sangue Quente, True Blood, Vampire Diaries, Teen Wolf, Once Upon a Time, Grimm e principalmente o atual Hemlock Grove, que parece ter sido feito totalmente sobre o sistema do jogo.

Um das primeiras coisas que o jogador fará ao começar o jogo é escolher uma Pele (Skin, no original) que ele irá habitar. Essa Pele nada mais é do que o monstro que você é, assim como seus poderes, Sex Moves, Strings, Background e o estupendo Darkest Self, que eu comentei acima que dá o tom de horror pessoal ao jogo. No livro Básico as Peles são: The Chosen (a lá Buffy e tanto outros caçadores), The Fae, The Ghost, The Ghoul, The Infernal, The Mortal (talvez um dos piores monstros a se considerar), The Queen, The Vampire, The Werewolf e a The Witch.

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Seu sistema é extremamente simples, possuindo 4 atributos: Hot (Manipulação, Sedução) , Cold (Raciocínio frio, controle pessoal), Volatile (Movimentos Físicos, agressividade) e Dark (Conhecimentos ocultos). Todas as rolagens são feitas com 2d6 e somando um dos atributos dependendo do objetivo. Além destes é possível encontrar em uma ficha pré-pronta. Sim, exatamente! A ficha já é pré-definida, fornecendo poucas opções para um jogador veterano, mas também dispensando o uso do livro, bastando ter apenas a ficha em mãos, escolher a Pele (Skin) que habitará, e nela você irá anotando simplesmente conforme informação da ficha quais os poderes você deseja para seu personagem, colocar seus pontos pré-definidos pela pele nos atributos e mais um a escolha do jogador, e talvez o que dê um certo probleminha na criação mas sendo também a parte mais divertida é a parte de Backgrounds, mas isso explico mais a frente.

Na ficha o jogador poderá notar também duas especificações bem curiosas:
Sex Move – cada pele possui a sua própria, mas basicamente quando o personagem tiver sexo (isso mesmo S-E-X-O) com alguém ele ativará uma habilidade que lhe renderá temporariamente habilidade seja sobre com quem ele fez, seja controle atrás de um objeto que ele tenha pegado da pessoa, seja uma ligação, isso dependerá da Skin;

E Darkest Self, a parte horror pessoal do jogo, caso o jogador faça algo que vá contra o que ele é, ou seja humilhado, ou ainda ative algo que de alguma forma faça seu “lado sombrio” despertar, o jogador terá na ficha uma sequência de dicas de como interpretar o personagem, assim como um gatilho que desativa essa condição, isso depende também da pele que o personagem habita, mas pode ser desde se tornar lobisomem, atacar qualquer criatura a vista, considerar seres humanos fracos e despejar suas habilidades em qualquer um que atravessar seu caminho. Isso rende altos problemas e um certo temor por parte do jogador, mas é o que torna o jogo com um gostinho de descontrole e horror próprio, algo que sinto falta no Mundo das Trevas como disse acima.

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Lembra quando disse sobre o Background, ai é que vem a parte divertida, quando você preencher sua ficha você terá que escolher pessoas na sua mesa (ou um NPC previamente criado, mas isso pode tirar a diversão) e fornecer (ou pegar) para elas ‘Strings’. Mas o que são Strings??? Bem, Monsterhearts é sobre monstros e adolescentes (não precisa também, fica a escolha da mesa), e sobre controle emocional sobre outras pessoas, elos, romances e desventuras que o sistema propõe e para isso ele te fornece as linhas (Strings, sacou hum hum) que amarrará todos esses personagens e NPCs juntos, dando a qualquer personagem que possua string contra a outra um bônus para seu bel prazer pessoal, ou seja, se um dos jogadores possuir muitos strings contra você tenho certeza que você pensará duas vezes antes de fazer uma besteira com ele. Todas as Skins possuem no mínimo dois Backgrounds a serem compartilhado com os outros, coisas como: “Existe alguém que sabe que você é um escolhido (the chosen) e o quer morto, o mestre te dá um nome e ele tem 2 strings sobre você” preocupante não, ao mesmo tempo faz seu personagem ter vida, mas alguns são vantajosos como um dos Background do Vampire “você é belo, ganhe 1 strings de todo mundo”.

Monsterhearts é isso, um jogo simples sobre referências que vemos aos montes na TV e Cinema, e com uma ideia nova de controlar criaturas que são monstros por fora, mas de alguma forma também humanos por dentro, o cenário tenta mostrar esse lado sombrio que todos possuímos, em especial sendo você uma criatura das sombras, seja você um mortal. O sistema é simples, não é preciso muito para jogar, e a parte de background compartilhado permite muitas situações não esperadas pelos próprios jogadores, assim como ideias profundas para o Mestre que queira explorar não apenas com a parte de regras e romance pessoal, apesar de muitas habilidades serem de controle, muitos dos personagens tem um horror pessoal muito bom a ser explorado, e acho que é isso que o criador tentou passar. Tem sexo? Tem. Mas também tem o lado sombrio do personagem, o controle que outros podem ter nele, a desconfiança e aceitação por parte da população, inimigos tão fortes quanto os jogadores e talvez até com habilidades desconhecidas por eles (tem muitas skins criadas por jogadores rolando na net, algumas muito boas como The Mummy, The Calaca (morto vivo a lá Dia de los Muertos), The Hollow (Slenderman) e por ai vai.

Monsterhearts não é apenas um jogo sobre romance adolescente bobo como muitos podem achar, ele pode ser um RPG assim, afinal a mesa a sua. Mas acima de tudo ele é um jogo sobre monstros, sejam eles humanos ou não.

Chequem o site da versão Brasileira, curtam a pagina de facebook e fiquem de olho, o livro e o jogo valem a pena a olhada
http://www.koboldsden.com.br
http://www.monsterhearts.com.br
http://www.facebook.com/monsterheartsbr
http://buriedwithoutceremony.com/portfolio/monsterhearts/(página oficial do sistema)

 

Esse artigo é uma colaboração de Necrokure.