A pirataria é algo bastante corriqueiro ultimamente, mas é um problema bem grave, principalmente para os criadores independentes de conteúdo, que tiram de seu próprio bolso para realizar o sonho de lançar sua obra. E a estratégia usada pela Greenheart Games nada mais é do que uma versão reduzida desse problema.game dev tycoon

Para quem não conhece a história, a desenvolvedora independente lançou o jogo Game Dev Tycoon, um simulador de desenvolvedor de jogos, onde você começa, literalmente, em uma garagem até fundar o seu próprio estúdio e criar novos jogos com uma equipe maior, e um Patrick Klug, um dos desenvolvedores, resolveu lançar a versão livre de DRMs para os piratas poderem baixar. Mas a versão pirata contém uma armadilha que a versão original não tem, e que é a origem desse barulho todo: em um determinado momento do jogo, o jogador recebia uma mensagem dizendo que seus jogos estavam sendo amplamente pirateados, impedindo que ele lucre e até chegando a causar a falência do estúdio. E isso causou uma chuva de reclamações na internet, de pessoas desesperadas, pedindo por alguma solução para evitar que o jogo fosse pirateado (incluindo colocar algum tipo de DRM), dando na cara de que ela mesma havia pirateado o jogo. Entendeu a ironia agora?Game Dev Tycoon e a pirataria

Esse caso serve pra demonstrar que pirataria atualmente se tornou mais um caso de caráter do que de economia. Antigamente, a maioria das pessoas recorria à pirataria porque não possuíam dinheiro suficiente para comprar, seja por causa dos preços dos produtos, quanto por causa de uma opinião errada (principalmente por parte dos pais) sobre o assunto. Hoje, com o advento de serviços como o Steam, com suas promoções por vezes obscenas de tão baratas; os bundles, que oferecem pacotes de jogos a preços módicos; e a Playstation Plus, que te dá uma porção também generosa de descontos, jogos grátis e outros serviços por uma taxa relativamente baixa (18 dólares por 3 meses e 50 dólares pelo ano inteiro), ficou mais fácil deixar o “lado negro da força”. Porém ainda existem pessoas que pirateiam por várias causas, podendo ainda ser por alguma questão justificável como os já mencionados problemas financeiros nos quais a pessoa prefere baixar de graça na internet a ter de pagar pelo produto original. E essas pessoas, possivelmente, não dão valor à obra ou ao criador dela, optando por isolar-se em um pensamento utópico, no qual tudo tem de ser de graça simplesmente porque ela quer que aquilo seja grátis ou porque ela quer ter tudo que exista no mundo por pura ganância.

Esse tipo de pensamento é o que tornou a indústria do entretenimento no que ela é hoje: a indústria cinematográfica investe mais e mais em sequências e roteiros clichês por causa da certeza de lucro; a musical aposta mais em ídolos pop pelo mesmo motivo; e a indústria de jogos se acomoda com os famigerados FPSs e procura mais meios de evitar que seus jogos sejam pirateados porque a criação de novos títulos exigem um orçamento alto e uma margem de lucro igualmente alta, chegando a recorrer a DRMs que vão desde ao divertido, como o escorpião imortal de Serious Sam 3, até os invasivos, que prejudicam apenas os jogadores comuns, como a conexão online constante, presente em Diablo III, no novo SimCity e, muito provavelmente, no novo Xbox.

Venho já avisar que eu também tenho um passado negro na pirataria, baixando jogos, filmes e músicas ilegalmente porque eu queria apenas jogar, sem me importar com o resto. Mas, depois de pagar o meu preço (duas formatações e um HD com perda total), eu aprendi a esperar para poder adquirir legalmente o produto, e isso me ensinou a dar valor a muitas coisas como o dinheiro e principalmente os jogos. Eu tenho um certo número reduzido de jogos originais para o meu PS3, em comparação às centenas de jogos pirateados que eu tinha para o PS2 antes de perdê-los, mas eu tive experiências com um jogo original que fizeram valer muito mais a pena do que vários jogos piratas que joguei (e nunca terminei). Porém, ainda hoje, eu me limito a baixar trilhas sonoras de jogos, mas eu compraria com certeza o original se estivesse disponível por aqui e com o preço justo, é claro.

Pra terminar, o ponto desse texto todo não é pra condenar totalmente a pirataria. É completamente justificável uma pessoa piratear um jogo porque não possui o dinheiro necessário para comprá-lo (com a certeza de comprá-lo depois quando a situação financeira melhorar) ou para fins de averiguação, quando uma pessoa não acha as demos e os vídeos no youtube o suficiente para motivar a compra (vide a Gearbox e a Sega, que estão sendo processados por propaganda enganosa por causa do Aliens: Colonial Marines). O problema é quando uma pessoa, em plenas condições para comprá-lo, decide piratear simplesmente porque está de graça na internet, não se importando com as pessoas que se esforçaram para entregar o produto.

Quem quiser comprar o Game Dev Tycoon, ele está por 8 dólares no site da empresa e também está em votação no steam greenlight, e quem comprar o jogo agora, receberá uma key para ativá-lo no Steam quando ele for aprovado. E quem quiser se aprofundar mais no assunto, pode ver esse vídeo, aonde um youtuber brasileiro fala, entre outros, sobre o problema da pirata no Brasil.