(A Trilogia: fogo, água e terra)

“‘Dragões’ são o símbolo máximo da fantasia. ‘Éter’ é a quintessência; é o material que existe no universo; é o elemento que nos liga ao sonho.

Logo, o nome é uma metáfora que simboliza ‘uma fantasia em que você vai poder chegar através dos seus sonhos’.

‘Dragões de Éter’.”

É assim que o escritor brasileiro Raphael Draccon ( http://www.raphaeldraccon.com ) explica o título de sua saga. Uma saga que eu considero leitura obrigatória para qualquer indivíduo que se considere nerd e, principalmente, a todos os amantes de fantasia em geral.

A receita da obra é simplesmente esta: Draccon misturou contos de fadas e clássicos da literatura com rock e RPG; recheou com referências das mais variadas; colocou a medida certa de ação, aventura, romance e até mesmo uma leve pitada de suspense e terror, para dar um tempero. Agora, é só deixar assar em sua mente, e você terá um banquete de literatura fantástica brasileira da melhor qualidade!

 

“E um lobo lhe devorou a avó.”
– Peraí – você diz. – Essa história eu já conheço!
Tem certeza? Estamos falando de Ariane Narin, uma garotinha que saiu para visitar a avó com seu capuz branco
E sabe o João e a Maria?
– Os que comeram a casa de doces?

Não… os que comeram uma casa normal pensando que era de doces, sob a hipnose de uma bruxa negra…

Esses são apenas os primeiros personagens que você conhecerá quando entrar no mundo deNova Ether. Sim, é esse o nome do fantástico mundo em que se passa a história, um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Essas fadas, eventualmente, testam o caráter dos mortais, que recebem recompensas de acordo com o resultado de tais testes. Algumas fadas, porém, frustradas com as falhas dos homens, cheias de rancor, acabam passando a usar a magia para o mal, e a levar mulheres que têm o coração cheio de ódio para o mesmo caminho, lhes ensinando magia negra. E é aí que surgem as bruxas, assim chamadas em lembrança à sua grande precursora Bruja. E o número de bruxas cresce cada vez mais em Nova Ether, assustando a todos! Até que alguém resolve tomar uma atitude: Primo Branford lidera a famosa e violenta Caçada às Bruxas. Em atos semelhantes aos da Inquisição, qualquer suspeito de bruxaria era executado sumariamente, sem direito a julgamento, não importando sexo, idade ou posição… E isso colocou muitas pessoas inocentes em perigo, tanto as acusadas injustamente por inimigos, como as incompreendidas bruxas brancas, aquelas que usam a magia apenas para o bem.

Mas esse tempo de horror acabou, e as bruxas foram completamente erradicadas! Primo Branford é o Rei de Arzallum, respeitado em toda Nova Ether, um herói! Mas… fatos como os ocorridos com Ariane, João e Maria parecem dizer o contrário. Na boa intenção de não alarmar o povo, e crendo que se tratavam de fatos totalmente isolados, o Rei Primo resolve restaurar uma casa de espetáculos, tornando-a a maior e melhor de toda Nova Ether: o Majestade. E assim, com “pão e circo”, a ideia de uma volta aos tempos de horror foi apagada da mente das pessoas.

E é exatamente ali, no Majestade, que a história realmente começa. Ariane e João – grandes amigos desde que o garoto a defendera de bullies que insistiam em chamá-la pelo terrível apelido de “Chapeuzinho Vermelho” – estão em sua primeira visita ao grande teatro, para assistir justamente uma peça sobre o grande feito do Rei: “Caçadores de Bruxas”. Enquanto todos acenam para a família real – Rei Primo, Rainha Terra (uma fada que se apaixonou por Primo), o Primeiro Príncipe Anísio e o Segundo Príncipe Axel -, empolgados por vê-los em carne e osso, meninas gritam para o príncipe Axel e…

Espere; o príncipe Axel está lutando boxe? Como ele pode estar em dois lugares ao mesmo tempo? E a princesa Branca Coração-de-Neve, noiva de Anísio, não pode deixar de comentar com sua mãe que seu amado não parece o mesmo…

E quem vai naquele navio pirata em alto-mar, senão Jamil Coração-de-Crocodilo, filho do cruel Capitão James Gancho? O que ele planeja, e o que o marinheiro Snail Galford tem a ver com isso?

E o que todos esses personagens têm a ver entre si?

E, a pergunta que não quer calar: será que, realmente, as bruxas se foram?


Tudo isso é apenas o começo do primeiro dos livros da série: “Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas”. Eu tenho este livro em sua primeira edição, publicada pela Editora Planeta – edição raríssima de se encontrar, coisa de colecionador! A nova edição, impressa pela Leya, conta com vários extras: além de um mapa de Nova Ether, o conto “Dias Estranhos”, um posfácio especial contando a trajetória de Draccon até Dragões de Éter, uma Apresentação especial do editor…Enquanto o primeiro livro é centrado no conflito com as bruxas – tanto o conflito no sentido violento como no sentido psicológico, da descoberta que as bruxas podem não ser exatamente como todos imaginavam – o segundo volume: “Dragões de Éter – Corações de Neve” entra em mérito de conflitos políticos, alianças renovadas e quebradas, intercâmbio cultural – pela primeira vez em muito tempo, alguém do continente Nascente vem ao continente Ocaso, onde fica Arzallum -, além dos revolucionários, representados aqui pela aparição do famoso Robin Hood, apresentado no maior estilo Che Guevara, que quer liderar uma revolução pela liberdade de sua terra. Em contraste (pão e circo…), o evento esportivo mais esperado: o Punho de Ferro, maior torneio de pugilismo de Nova Ether; e o campeão de Arzallum é, ninguém mais, ninguém menos que o próprio príncipe Axel Branford.

Por fim, o terceiro livro é o mais denso: é quando estoura a Primeira Grande Guerra de Nova Ether, devido à uma quebra de acordo entre gigantes e humanos por parte de um garotinho que escalou o que achava ser um pé-de-feijão gigante… Do outro lado, vemos grande parte dos personagens, principalmente os mais jovens, enfrentarem as dores e os desafios do amadurecimento e as escolhas e responsabilidades que vêm com ele.

Não falo mais sobre o segundo e o terceiro livros, porque ia acabar soltando spoilers… Mas, diz aí: não está com um gostinho de “quero mais”? E com esse booktrailer, então?

O mais impressionante é que você não apenas se envolve com a trama, mas se sente parte dela. Como explicado no próprio livro, Nova Ether precisa de Semideuses para continuar existindo… e não demora para entendermos que tais Semideuses somos nós, que a história só existe porque a estamos lendo, pois ela cria vida em nossa imaginação. Faz todo sentido, não?

(Raphael Draccon – O Criador)

O melhor de tudo é que, além de ótimo em escrever, Rapahel Draccon também é ótimo com seus fãs. A consideração e carinho pelos leitores são incomparáveis. Duvido que algum fã tenha ido embora insatisfeito de qualquer encontro com o “Criador” – assim chamado carinhosamente pelos admiradores de sua obra. Sua obra é claramente influenciada pelos fãs, que até mesmo já foram homenageados ganhando sua versão novaetheriana: seu nome em um personagem. Os leitores ajudam a decidir o destino dos personagens, e até mesmo opinam sobre o próximo título da saga. Uma das leitoras tornou-se a ilustradora oficial da saga, depois de apresentar suas muito bem feitas fanarts. Além de tudo, Raphael Draccon e muito atencioso também pelas redes sociais, sempre respondendo seus leitores por e-mail, twitter, facebook, orkut, e sempre acatando sugestões e pedidos dentro do possível.

Criador e obra: tudo vale a pena quando se trata de Dragões de Éter!

E você? Já leu, quer ler, formou alguma opinião?

Por Stedy