Uma das discussões que mais ouço sobre filme de ação é a insistência que algumas pessoas têm que filmes devem agregar algo para o intelecto do espectador e eu não concordo muito bom isso, mas quando eles o fazem, conseguindo ainda entregar algo empolgante, temos obras como “Círculo de Fogo”(Pacific Rin).

No meio de uma fenda no Pacifico, monstros gigantes surgem para destruir a humanidade, mas os homens não ficam de braços cruzados e constroem robôs gigantescos para combater as feras. Essas máquinas precisam de dois pilotos, pois a conexão com o robô é muita carga para uma única pessoa, sendo que eles têm que agir como se fossem um e para isso precisam ter suas mentes conectadas.

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A comparação com Transformers muitas vezes é feita quando se fala desse gênero de filme de robô saindo na porrada, principalmente porque elas compartilham outras semelhanças como a influência de um material japonês, mas diferente da franquia de Michael Bay, “Circulo de Fogo” não ofende a inteligência do espectador. Claro que ainda é necessário ter alguma suspensão de descrença, principalmente quando você não conhece nada do gênero “mecha” (nome que os japoneses dão aos robôs gigantes), mas Guillermo Del Toro se preocupou em trazer um universo que interage com essas lutas de seres colossais, como a existência de um mercado negro explora e vende partes dos corpos desses monstros.

A própria estrutura do robô, que precisa de dois pilotos que compartilham pensamentos, é algo que contribui muito para o roteiro, criando novas ideias de exploração de personagens, mesmo que eles sejam clichês e que você até sabe como tudo vai terminar, mas no meio disso, pensamentos compartilhados relevam surpresas e constroem personagens de formas magníficas, sem perder a ação, sendo que muitos desses momentos em que o roteiro brilha, uma cena de ação fantástica também está acontecendo, não obrigando ninguém a desligar o cérebro, desenvolvendo personagem no meio da pancadaria.

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Eu não costumo destacar muito a parte de design desse tipo de filme, mas aqui ela está de parabéns. No lugar de robôs tipo “Transformers” que a estrutura corporal não tem lógica nenhuma, aqui os robôs tem designs que lembram os países nos quais eles foram feitos e a equipe até releva que pensaram como, por exemplo, colocar um reator nuclear em um robô, onde os pilotos ficariam e como tudo aquilo funcionaria. Algo que não precisava, pois é difícil reparar esse tipo de coisas em outras obras do gênero, mas aqui você olha para o robô e ele parece ser algo que realmente seria construído daquele jeito.

“Círculo de Fogo”, até agora, para mim, é o filme de ação do ano. Ele tem aquela medida certa entre pancadaria e aqueles momentos que tem fazem pensar que poucos filmes conseguem, tipo “Exterminador do Futuro 2”. Assistam que vai valer totalmente a pena.

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