Sempre tem aquela screenshot que te faz pensar: “que traço maravilhoso, preciso assistir isso”. Assim foi com Vampire Hunter D, anos atrás, enquanto folheava uma revista sobre animes. Me apaixonei pelo traço e, desde então, sempre afirmei para mim mesma que um dia iria assistir esse filme, e esse dia chegou semana passada.

vampire hunterPesquisando um lugar para assisti-lo acabei descobrindo que existia mais que um filme, então resolvi assistir aos dois filmes disponíveis. Um deles data de 1985, o outro de 2000, e devo dizer que é ótimo perceber a evolução pela qual as animações japonesas passaram nesse intervalo de 15 anos. É chocante! Principalmente porque o protagonista é o mesmo e no segundo filme ele está infinitamente mais gato (sou dessas). Mas vamos ao que interessa.

vampire hunter doris e danEm Vampire Hunter D, o primeiro, a história começa um pouco confusa, com uma garota correndo no meio de uma floresta, à noite, perseguindo uma criatura bizarra – algo entre um verme e um alienígena, talvez um pouco dos dois – quando é atacada por um vampiro. A animação traz uma mistura entre os gêneros faroeste e medieval, o que é algo muito interessante, e que penso que se fosse executada no século XXI teria ficado incrível.

A animação é típica dos anos 80, pensando em outras obras da época, a qualidade do filme de Toyoo Ashida é muito boa, apresenta uma mitologia com um quê lovecraftiano junto de uma tecnologia avançada, mas peca um pouco na construção das personagens.

vampire hunter dorisNo cenário construído existe uma certa convivência entre seres sobrenaturais e humanos. Os vampiros, conhecidos como nobres/aristocratas, conseguiram, de algum jeito, se sobrepujarem às demais criaturas e eles estão no topo da hierarquia. O que torna meio estranho ver lobisomens como cachorrinhos de estimação, mas vamos abstrair isso por enquanto. A mocinha que protagoniza a série junto com o misterioso caçador de vampiros é Doris, filha de um caçador de lobisomens (já falecido) e que toma conta da propriedade junto com seu irmão caçula, Dan – o que eu achei ótimo, porque mesmo ela usando uma roupa inadequada para caça de qualquer coisa, ela acaba representando a mulher independente no final das contas.

Vampire Hunter D left handFoi após o ataque que ocorre logo nas primeiras cenas (e que Doris tenta manter em segredo), que ela e D se encontram. Ela está à procura de um caçador que a ajude e D só aceita fazer alguma coisa por ela depois de ver a marca em seu pescoço.

D, como o dampiel/dampiro (filho de mãe humana e pai vampiro) é conhecido, é um sujeito de poucas palavras mas extremamente eficiente. Ao longo do filme ele mostra suas habilidades fora do comum, como por exemplo o parasita que está em sua mão esquerda e que é inteligente (vulgo fala), servindo algumas vezes como subconsciente de D.

Doris ter sido atacada representa o retorno dos nobres que estavam sumidos há algum tempo da vizinhança, o que acaba causando medo na população local. O conde Magnus Lee, o vampiro que a atacou, quer desposá-la e para isso tenta capturá-la de várias formas, todas elas dificultadas em algum grau por D. O final eu deixo para vocês conferirem, mas fica no ar que talvez o pai de D seja Drácula (que é encarado pelos nobres como um deus ancestral).

Abaixo, o trailer com legenda em espanhol. O filme completo está disponível no youtube e legendado em português!

Esse filme de 1985 parece uma grande apresentação de D para o filme que veio a seguir. Essa não é a única mídia em que ele aparece. Originalmente, Vampire Hunter D é uma série de novelas escritas por Hideyuki Kikuchi (conhecido também por Darkside Blues e Wicked City) e ilustradas por Yoshitaka Amano (que já trabalhou em Speed Racer, Gatchaman, Sandman (esse mesmo!), entre outros). Além disso, ganhou adaptação para audio drama, mangá e ainda foi expandida em contos, livros de arte e guia suplementar. Ou seja, um sucesso!

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Já em Vampire Hunter D: Bloodlust nós vemos um D um pouco mais “aberto”, diferente daquele que apareceu no primeiro filme. Talvez o contato com Doris e Dan sensibilizou um pouco o coração dele (em mim só causaram ódio mesmo, especialmente no final do filme quando eles gritaram horrores). Não dá para saber, pelo menos eu não percebi, quanto tempo se passa entre um filme e outro, mas ambos são ambientados no período aproximado de 10.090 d.C, o mundo continua devastado por uma guerra antiga e os vampiros continuam no topo do poder. Só que o seu número vem diminuindo consideravelmente, pois os humanos estão aprendendo a se defenderem, seja com apetrechos, seja contratando caçadores.

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Olha esse perfil lindo minha gente!!

D novamente é chamado à luta, dessa vez contratado por uma família riquíssima que teve um de seus membros sequestrado por um aristocrata. A sequestrada em questão é Charlotte, seu sequestrador, o barão Meier Link. Um grupo de caçadores também é contratado, os Irmãos Markus compõem um grupo misto: Borgoff, o líder e “arqueiro”; Nolt, o grandalhão que luta com um martelo; Kyle, o engraçadinho que luta com “bumerangues” em forma de cruz; Grove, o acamado que se projeta ao tomar uma injeção; e Leila, a única mulher, luta com armas-laser. O grupo deveria apoiar D, mas isso acaba virando uma disputa (unilateral, vale dizer) entre eles.

vampire-hunter-d-bloodlust-1259058018Nessa história as coisas já são melhor apresentadas, então para quem não assistiu o filme de 1985, não há problema. Aqui a narrativa poderia ser dividida entre três pontos: um que representa a relação entre Meier e Charlotte; outro que representa a motivação de D em impedir o sucesso de Meier; e por fim a relação entre D e Leila.

O que surpreende D e o espectador é a revelação de que Meier e Charlotte estão apaixonados. Então o sequestro foi um plano de fuga para que os dois pudessem, com ajuda de uma interventora poderosíssima, ficar juntos e talvez colocar mais dampirinhos no mundo. E uma desses meios de ajuda se materializa na forma de três criaturas que estão protegendo a charrete que transporta os enamorados: uma metamorfa, um lobisomem mutante e um mago. Sentiu o clima Mundo das Trevas aí? Eu senti.

vampire hunter mutantesEm contrapartida, a relação entre D e Leila não se aproxima muito do casal em fuga. Leila tem certa resistência contra D porque além dele ser um caçador rival, ele ainda é meio vampiro, e ela não tem qualquer boa recordação com o sobrenatural. Porém, eles acabam construindo uma espécie de amizade, o que foi ótimo porque deu para sentir o lado humano de D!

A motivação de D em impedir que o amor de Meier e Charlotte se concretize é um pouco óbvia, afinal ele é fruto de um relacionamento do tipo e sua missão é acabar com todos os vampiros do planeta, extinguir o mal pela raiz. Permitir que o casal continue junto e talvez se reproduza é ir contra ele mesmo. E aí a decisão final dele é surpreendente, e acho que devemos tudo à Leila! Shippei até não poder mais!

vampire-hunter-d-bloodlustPor fim, a narrativa de Bloodlust é ótima, envolvente ao ponto do espectador criar maior empatia pelas personagens. Ao mesmo tempo, atiça a curiosidade sobre o universo criado por Hideyuki Kikuchi: como o mundo chegou onde chegou? Como os vampiros conseguiram tanto poder? D é realmente filho do Drácula? O que está por trás da história não-contada dele? Cadê a mãe dele? Ele vai conseguir realizar seu intento? São muitas as perguntas e acho que apenas os livros podem matar um pouco da minha curiosidade.

Abaixo o trailer em inglês, sem legendas. Vamos admirar essa lindeza?!

Agora uma coisa que eu recomendo é que você, que ainda não assistiu Vampire Hunter D: Bloodlust, assista na ordem cronológica, como eu fiz, porque o segundo filme é maravilhoso. Fica a dica de um clássico da animação japonesa, em minha singela opinião.

 

Informações

 

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Título: Vampire Hunter D

Duração: 83 minutos

País: Japão

Ano: 1985

Diretor: Toyoo Ashida

 

 

 

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Título: Vampire Hunter D: Bloodlust

Duração: 103 minutos

País: Japão

Ano: 2000

Diretor: Yoshiaki Kawajiri