Drama e ficção científica, Sense8 foi uma nova aposta da Netflix que aparentemente deu muito certo.

Escrita em parceria dos irmãos Wachowski, conhecidos pela trilogia Matrix, com o escritor e produtor J. Michael Straczynski, conhecido por Babylon 5, a primeira temporada lançada em 2015 está levantando ótimas questões sobre o que é ser humano e o que é ser quem realmente se é em uma sociedade que ainda (sobre)vive com tantas normas.

A narrativa envolve oito personagens, de lugares diferentes, que não se conhecem num primeiro momento mas que acabam se conectando. Em tempos de internet, conectar-se a uma pessoa que mora do outro lado do mundo pode parecer trivial, mas quando essa conexão é feita através da mente você passa a dar mais atenção à série.

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O mais emblemático, na minha opinião, é destacar, entre as personagens, as minorias. Capheus é um queniano que dirige uma van em Nairobi e luta para conseguir comprar os medicamentos para sua mãe aidética; Kala é uma indiana, hinduísta e farmacêutica que está prestes a se casar com um “bom partido” que não ama; Nomi é uma mulher trans e hacktivista que está lutando para ser aceita; Riley é uma DJ islandesa que se mudou para Londres após sofrer um grande trauma em sua terra natal; Lito é um ator espanhol que vive no México e não consegue assumir sua homossexualidade por temer perder os papéis de galã no cinema; Will é um policial em Chicago que ainda carrega a culpa pela morte de uma garotinha quando era criança; Sun é uma empresária e kingboxer coreana que tem sérios problemas familiares; e, por fim, Wolfgang, um chaveiro e arrombador alemão que tem que lidar com a memória do pai e o crime organizado.

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Angélica e Said, digo, Jonas, um pouco antes dela se matar. Ambos faziam parte do mesmo grupo de sense8 e ela foi pega pelo Whispers.

Tudo começa quando a morte de Angélica (Daryl Hannah) é testemunhada pelo grupo, sendo esse o gatilho para que os oito, que ainda não fazem ideia do que está acontecendo, comecem a compartilhar suas emoções, habilidades e experiências. As coisas poderiam ser mais simples se esses compartilhamentos não acontecessem em momentos de intimidade – e talvez constrangedores – e, principalmente, por eles começarem a serem caçados por alguém cujo objetivo é destruir essa conexão através da lobotomia.

Cada um dos oito tem seus dramas pessoais para resolver, que a partir de agora se tornaram coletivos. Em meio a isso, eles têm que compreender o que está acontecendo ao redor de si e dos outros, agir da maneira mais apropriada e se protegerem contra o inimigo que ganharam. Com isso, eles se tornam mais empáticos e dão uma bonita mensagem de tolerância, que parece casar perfeitamente com o momento em que vivemos.

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Sense8 tem uma ótima fotografia, um ótimo enredo e as atuações não deixam nada a desejar, sem falar nas cenas de ação incríveis. Para alguns espectadores as cenas de sexo podem ser excessivas, ou até mesmo o debate sobre a homossexualidade pode roubar as cenas e parecer um pouco forçado, mas é justamente essa riqueza de detalhes e a forma como conseguiram construir uma relação simbiótica entre personagens vivos e tão verossimilhantes que me conquistaram.

 

A boa notícia é que os irmãos Wachowski e Straczynski fizeram um planejamento para algumas temporadas e estou muito empolgada com o desenrolar da narrativa, principalmente se eles abordarem com maior profundidade a questão já levantada por Will sobre os sense8 serem uma evolução da raça humana. Além, claro, de querer saber como enfrentarão o Whispers e como vão resolver suas questões.