“Se você tem tempo pra imaginar uma bela motre, então por que não vive belamente até o fim?” – Sakata Gintoki

Muita gente, se fizesse uma lista de animes preferidos, colocaria animes como One piece, Naruto, Suzumyia e Queen’s Blade (estes dois últimos com grande controvérsia) como o primeiro lugar. Já eu, colocaria Gintama.

Criado por Hideaki Sorachi, serializado pela Shonen Jump desde dezembro de 2003 (atualmente com 43 volumes) e contando com uma série em anime pela Sunrise com, atualmente, 252 episódios, 2 OVAs e um filme, Gintama conta a história de Sakata Gintoki, um samurai viciado em doces e na Jump e um veterano de guerra que vive como faz-tudo, ao lado do filho de samurai Shimura Óculos Shinpachi, da esfomeada e desbocada descendente da raça mais forte do universo Kagura e do ‘cachorrão’ Sadaharu (que pode virar um demônio se alimentado com iogurte de morango), em uma Edo futurista dominada pelos Amanto, alienígenas que dominaram o Japão a ponto de controlar até o governo do país como se fosse um brinquedinho qualquer. Troque os Amanto por americanos e descobrirá que se trata de uma paródia do episódio da “Abertura Cultural” do Japão no século XIX.
À primeira vista, pode-se encaixar Gintama com um anime de comédia tanto escrachado, com personagens carismáticos e mestres na cara-de-pau, quanto de referências. Aliás, são tantas referências que até mesmo o próprio povo japonês às vezes se perde (as referências vão de Ultraman, Doraemon e programas e personalidades japonesas até Dragon Quest, Inception e O Exterminador do Futuro), portanto se for pegar o anime pra ver, procure por um bom fansub.
Porém, no decorrer do anime, outros gêneros vão aparecendo e é aí que o anime realmente passa a merecer a sua atenção porque o autor vai usando as características de um gênero, mistura com outro gênero e consegue criar histórias curtas marcantes e incríveis. Tomemos como exemplo o arco “Rebelião no Shinsengumi”, que dura uns 4 episódios e começa quando o vice-comandante do Shinsengumi é afastado ao ser possuído pelo espírito de uma espada maligna e transformado em um otaku 2D loser fanboy de To-Love-Ru, desencadeando uma revolta motivada por terroristas infiltrados que queriam derrubar o governo atual, e o do “Comedor de Planetas”, com 2 episódios e narra a história da disputa entre um velho e seu cachorro possuído pelo “Comedor de Planetas” sobre quem morria primeiro para não fazer com que o outro não sofresse com a perda do amigo (esse arco fez com que o anime fosse o primeiro a me fazer chorar lágrimas masculinas com um drama).

Entendam como quiserem.

E o negócio de “mistura de gêneros” não se aplica somente ao enredo, se aplica também aos personagens, que acabam ganhando personalidade e carisma únicos (como o vice-comandante fumante e viciado em maionese, a kunoichi masoquista e um velho vestido de pato que fala através de placas e atende pelo nome de “Elizabeth”), contribuindo não só para o desenvolvimento do enredo, mas também para dar um aspecto mais vívido à obra. Porém, grande parte desta construção é meio que deixada de lado nos episódios fillers ou totalmente dedicadados à comédia, podendo irritar pessoas que gostam ou estão à procura de um bom enredo.

Porém, nem tudo são flores, já que Gintama possui algumas piadas bem pesadas e algumas às vezes beiram a escatologia (como no episódio do cabelereiro aonde o trio coloca cocô de cachorro na cabeça do Shogun para tentar disfarçar o fato de que eles cortaram o cabelo dele por engano), então é melhor não comer algo enquanto você vê este anime porque ou você cospe tudo com a risada ou com o nojo da cena.
O traço do anime é limpo, sem contornos ou marcas fortes (exceto nas cenas de luta), e um pouco caricato, mas foca no detalhamento dos personagens tanto na aparência quanto nas vestimentas, garantindo certo destaque e fluidez agradáveis ao anime.
A trilha sonora, criada por Kamagata Eiichi, também brilha com a mesma intensidade do enredo porque, assim como tal, ela também é diversificada para acompanhar a história: para os momentos de comédia há músicas mais calmas e felizes, rock para os momentos de ação (destaque para o rock espiritual do arco “Stand”), uma mistura dos dois para os momentos de drama e suspense (quem ouviu a música “Jinsei wa Belt Conveyor no Youni Nagareru” do Lag Theme Songs sabe do que eu estou falando), etc. Também vale destacar as OPs e EDs do anime que, apesar de ter seus altos e baixos a cada temporada (principalmente nas EDs), conseguem ser relevados pela alta qualidade das músicas boas.
Enfim, Gintama é um excelente anime e merece ser visto por todo mundo, já que, em questão de gênero, ele tem de tudo um pouco (principalmente comédia e ação).
Roteiro: 10
Visual: 8,0
Desenvolvimento de personagens: 9,0
Som: 9,0
Final: 10