Sessão nova chegando, estamos estreando mais um Coletivo Arte & Craft. Uma coluna que fará você se movimentar bastante sempre ensinando algo novo, mas claro relacionado ao mundo nerd. Para começar escolhemos falar de papel. =]
A arte de moldar papel já vem de muitos anos, na antiga China e Japão eram comum desenvolver a técnica através de Origamis e Kaigamis que consiste em construir modelos de 3 dimensões através de uma folha de papel, e muitas vezes que seriam pintados também a mão. Hoje felizmente temos os papéis coloridos próprios para a técnica.

No século passado, com a chegada do plastimodelismo (que era um hobby até bem popular na Europa e EUA) brincar com papel perdeu força, porém, com a chegada do computador e internet, os moldes e plantas ficaram mais acessíveis, animando os entusiastas que compartilham centenas de moldes gratuitamente. Tutoriais em vídeo tornaram a prática esquecida mais simples de se aprender enquanto na Europa Oriental, ela parece, contudo nunca ter sido esquecida mesmo durante os tempos da cortina de ferro e da guerra fria onde existem ainda modelos e plantas comerciais com as marcas mais famosas são: Maly Modelarz, GPM, Modelik/Modelcard, Halinski, Betexa, Schreiber Bogen, Model Kartonowego Fama, Wilhelmshavner, Fiddlers Green e outras.

 Já que os modelos de papercraft podem ser facilmente impressos e montados, a Internet tornou-se um meio popular para a sua divulgação. E com ela, variações dos papercrafts foram criadas.Um software chamado Pepakura Designer é capaz de converter os polígnos de um arquivo em 3D para um modelo de papercraft o que facilitou que pessoas criassem seus próprios modelos.
Além disso, com a popularização das toy arte, surgiram também as cubeecraft (pronuncia-se “kyoob-ee”) especialmente
surgidos do site http://www.cubeecraft.com/ onde toda semana, seu criador Chris Beaumont compartilhava personagens de diversos meios nerds (filmes, heróis entre outros) e que se tornou um grande sucesso. Hoje muitos sites como o deviantart que compartilham milhares de modelos nesse molde como o próprio nome sugere (em cubo) já que no site principal, é disponibilizado um template.

O que é preciso para brincar com papel e onde encontrar modelos.


Como já falamos, existem muitos modelos de papel, entre eles, separamos alguns sites para você se inspirar e claro poder começar a brincar do fácil ao level hard:

http://papercraftparadise.blogspot.com/
http://www.origami-kids.com/paperairplanes-2-theflat.php
http://www.papercraftmuseum.com/
http://www.srfraude.com/papercraft.html
http://paperinside.com/characters/
http://papercraft.wikidot.com/papercraft
http://nintendopapercraft.blogspot.com/
http://www.paperforest.blogspot.com/

É claro que além deles, há as comunidades do orkut, facebook e o pai da sabedoria google e claro revistas especializadas que saem no Brasil.

Ferramentas

Vamos agora falar das ferramentas básicas deste hobby que é bastante simples e acessíveis.

• Estilete: Utilizaremos para cortar peças intricadas do papel sem ter o perigo de deformá-las ou danificá-las, prefira
marcas boas. Se quiser investir um pouco mais o melhor, seria adquirir uma faca tipo X. Ato que garante na hora do corte
uma precisão sem igual.
• Tesoura média de ponta: Pau para toda a obra serve para cortar, aparar peças, o seu uso é meio óbvio…
• Tesoura de unhas: Utilizaremos para trabalhos delicados de corte.
• Régua de metal: Serve para realizar dobras nas peças ou como escora de qualquer ferramenta de corte (estilete) ou de dobra
• Caneta “Morta” uma caneta esferográfica sem tinta ou uma lapiseira velha são excelentes ferramentas para realizar sulcos nas linhas de dobra das peças.
• Pinças de filatelia ou eletrônica: O uso é óbvio: levar peças onde os dedos não chegam ou unir peças para colagem em locais difíceis dos dedos chegarem…
• Cola Branca: Embora seja a principal cola de muitos neste hobby, ela tem a desvantagem de manchar e deformar o papel quando aplicada em demasia.
• Cola de Isopor: Uma boa opção para substituir a cola branca, garante boa resistência e não mancha ou deforma o papel, porém demora, para secar.
• Cola de Glicerina: A famosa cola bastão tipo Print, usamos esta para colar peças em outros tipos de papel ou para duplicar a gramatura de um determinado tipo de papel, é uma cola que não deforma o papel, mas mancha se aplicado em demasia.
• Lápis de Cor: Servem para pintar as famigeradas linhas brancas que são produzidas quando realizamos dobras ou fica uma fresta por causa de uma aba mal colada…
• Palitos de dentes ou agulha de costura: Usamos para aplicar cola sem excessos e acidentes…
• Verniz Acrílico em spray: Utilizamos para proteger o modelo das intempéries e acção do tempo quando pronto, prefira marcas que tenha filtro UV para evitar o amarelamento e desbotamento das cores e do papel.

Materiais

O papel é o nosso principal material, logicamente e os modelistas de cada país o denominam de um jeito diferente. O que em geral no exterior chamam de “cardboard” é equivalente a nossa tradicional cartolina, o que não serve para regra, já que eles definem o tipo de papel pela gramatura e não pela consistência e cor. Aliás falando em gramatura ela é a razão
peso/espessura do papel, quanto menor a gramatura mais fino é o papel. Existem alternativas diferentes a cartolina, a desvantagem fundamental desta é que precisa ser cortada em formato A-4 e não são todas as impressoras que a aceitam numa boa.
Uma alternativa a cartolina é o papel sulfite em suas diferentes gramaturas extremamente acessíveis e populares, vendidos em formato A-4 as gramaturas mais comuns são as de 75g e 90g, que podem ser eventualmente utilizadas para trabalhos delicados, no entanto as verdadeiramente úteis são as de 120g e 180g que são um pouco mais difíceis de serem obtidas mas substituem perfeitamente a cartolina.Outros papéis podem ter usos especiais como o papel cartão, bismark e Kraft em gramaturas acima de 240g que podem ser usados para fazer reforços estruturais internos. Cartolinas metalizadas nas cores prata e ouro podem ser úteis na feitura de modelos que exijam acabamentos metálicos como modelos de foguetes de SF da década de 50.
Outro material comum de lermos nas páginas estrangeiras, é o cardstock, na verdade equivale ao papel cartão e ao Kraft.

Conselhos básicos para começar. Respire Fundo!

• Escolha um modelo simples para começar…
• Imprima em uma impressora de qualidade, em bom número de DPI’s
• Impressões em gráfica expressa também valem desde que o papel utilizado esteja na gramatura correcta e seja sem brilho (por que a cola não pega no papel couchê brilhante, muito utilizado neste tipo de local)…
• Escolha gramaturas medianas entre 120g à 180g para imprimir o seu modelo.
• Procure trabalhar em um ambiente limpo, claro e organizado.
• Tenha paciência muiiiita paciência, se errar e tiver reversibilidade, refaça, amasse e recomece tudo de novo no último caso, lembre-se que isto é um divertimento, não uma tortura que só fará aumentar a sua pressão arterial…
• Procure desenvolver as suas próprias técnicas de montagem, às vezes procedimentos diversos chegam a um mesmo resultado ou a um resultado melhor.
• E por último, por ser uma diversão não a transforme em obsessão, você deve governar o hobby e não o contrário.

Nomenclatura mais utilizada no Hobby

Veja aqui termos em inglês muito comum de vermos nas instruções dos modelos e que são por assim dizer “universais”.
• Tabs ou flaps: São as abas de colagem dos modelos, a junção das peças dependem da colagem destas que são estruturas de união entre os vértices e ângulos das peças.
• Fold Lines: As chamadas linhas de dobra, como o nome diz são por estas linhas que se orientam as dobras que formam as peças, a correta interpretação destas linhas forma perfeitamente as peças do modelo. Normalmente as linhas que apresentam traçados são de orientação côncava e as que apresentam um traçado e um ponto são de orientação convexa.
• Laminação: E a técnica que forma sólidos pela colagem de diversas lâminas de papel.

 

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Fonte de inspiração: http://bisbilhotecarias.blogspot.com/