E se você pudesse ser a causa da morte lenta e prematura do amor da sua vida?
Esse é o conflito que Sophia Coldheart, a protagonista de “O Inverno das Fadas”, tem que enfrentar. Sophia é uma fada; mas não uma fada comum. Ela é uma Leanan Sídhe, uma fada amante, musa inspiradora dos artistas mais talentosos… e, agora, mortos. Pois Sophia, além de inspirá-los e fazer com que alcancem o ápice de seu talento, também se alimenta de sua energia vital, através da execução de suas obras… Quanto mais talento, mas alimento. E quando, enfim, a obra-prima estiver completa… a fada se afasta, levando-os à loucura… e, por fim, à morte.

Sophia já se relacionara com homens e mulheres, cantores, compositores, escritores e até mesmo hackers (o que importa é o talento, não o conceito restrito de arte). Mas nenhum deles era como William Bass. William é um escritor de Keswick, Inglaterra, e foi escolhido pelo destino como a próxima vítima de Sophia. Mas, ao encontrá-lo pela primeira vez… Sophia surpreende-se. Acostumada a humanos que ficavam extasiados ao vê-la e se deixavam dominar, permitindo que ela fizesse deles o que bem entendesse, foi surpreendente ver a força e domínio que William teve desde o começo. Imediatamente ela soube: este homem era diferente.
Mal sabia ela que ele não era apenas diferente: ele era o homem que roubaria seu coração. O coração de uma Leanan Sídhe.
Mas a coisa não para por aí… Mesmo apaixonada, Sophia não poder simplesmente ir contra sua natureza e “desligar” o feitiço que a uniu a William. Era inevitável sugar a energia do amante a cada encontro. A equação aqui se tornava mais perigosa e desesperadora: quanto mais amor, mais morte.

O que fazer? Quanto mais ficasse com William, mais próximo da morte ele estaria. Mas como sobreviver longe daquele que ama? Existiria uma forma de os dois viverem juntos? Seria a morte o alto preço e único destino daquele amor?

Carolina Munhóz evoluiu muito desde seu primeiro livro, “A Fada”. A escrita está muito mais madura e profunda. Em “O Inverno das Fadas”, vemos como fatos reais foram bem aproveitados pela autora para complementar a ficção. Com certeza você reconhecerá pelo menos algumas das vítimas da fada nos diversos relatos de suas lembranças. O livro é repleto de cenas doces, sensuais e dramáticas, em pleno equilíbrio. O fato de trechos de músicas serem usados como títulos dos capítulos é uma gostosa “ironia” à fada-musa, além de dar o clima certo a cada capítulo. O final me surpreendeu. Jamais imaginaria que as coisas chegariam aonde chegaram, muito menos que terminariam como terminaram.

 

São mais de trezentas páginas que passam como se fossem cento e cinquenta. Uma escrita leve, uma trama fácil de acompanhar, mas sem ser entediante em nenhum momento. A ansiedade por saber o fim do casal não nos permite desgrudar da leitura.
Existe algo de mágico neste livro… Talvez a magia de uma fada inspirada por seu amante escritor?
Quando há amor, sempre há esperança. O inverno pode trazer o pior… mas a primavera sempre chega. Será que este casal verá a chegada da primavera?

Permita que as fadas o iluminem, caro passageiro.

O Inverno das Fadas
Autora: Carolina Munhóz
Editora: Fantasy/Casa da Palavra
Preço: 29,90