Dos esportes que tem como objetivo simular uma batalha militar o airsoft é, de muito longe, o mais desenvolvido e também o mais próximo da realidade. Utilizando armamentos praticamente idênticos aos reais (externamente, já que os componentes internos são completamente diferentes) e réplicas de uniformes, coletes, capacetes, entre outros acessórios este esporte chama atenção não apenas por este grau de realismo, mas também pelos valores exigidos quase exageradamente tanto dentro quanto fora de jogo.

Como não existe marcação (como a tinta do Paintball) o airsoft baseia-se na honra e honestidade dos jogadores que, ao serem atingidos, devem denunciar-se e depois sair do campo de jogo em silencio (normalmente gritar-se a palavra “morto” e cobre-se a cabeça com um lenço vermelho para marcar o jogador como morto). Aqueles que insistirem em continuar no jogo, mesmo depois de atingidos, desobedecendo ao conceito de honra, podem ser expulsos de seus times e, caso continuem no erro, correm o risco de serem banidos do exporte.

As armas utilizadas neste esporte são, como foi mencionado anteriormente, idênticas as armas reais. Mas apenas em seu exterior. Os mecanismos internos são fabricados de forma que nenhuma arma de airsoft possa ser modificada para disparar munição real. Estas em sua maioria são elétricas (chamadas de AEG, Airsoft Eletric Gun, ou “Arma de Airsoft Elétrica”, onde a pressão de ar é gerado por um pistão e uma mola, pressionada através da força de um motor elétrico e um conjunto de engrenagens), mas também existem armas a gás (de funcionamento semelhante aos marcadores de paintball) e spring (onde a mola do pistão é pressionada manualmente).

Praticamente todas as armas existentes possuem réplicas para airsoft, desde submetralhadoras, fuzis, pistolas, bazucas, granadas, minas terrestres até lança chamas, tanques de guerra e até mesmo robôs gigantes (O Kurata japonês possui duas metralhadoras de airsoft no braço que disparam juntas 6000 BBs por minuto http://suidobashijuko.jp). O preço de um equipamento deste esporte também varia bastante dependendo do material utilizado na fabricação, modelo, marca e loja. Com preços que se iniciam em R$600,00 (uma pistola elétrica em loja legalizada) passando por R$1000,00 a 2500,00 (preço da maioria dos rifles legalmente vendidos no país) até cerca de 1,3 milhões de dólares (preço inicial do Kurata sem contar frete e impostos).

A munição utilizada é igual para praticamente todas as armas de airsoft. Uma esfera de 6mm, completamente solida, normalmente de PVC ou material semelhante bio degradável chamada de “BB” (Bullet Ball). Estas esferas não estouram ou deixam marcas como no Paintball e portanto a pressão criada pela arma é utilizada apenas para arremessar a BB o mais distante possível. Por este motivo as armas de airsoft tem uma potencia bem mais baixa que os marcadores de Paintball e assim não costumam provocar ferimentos graves.

O único material de proteção obrigatório é o ocular, já que o impacto da BB com o olho humano pode quase certamente provocar cegueira, é imprescindível que o esportista vista sua proteção durante todo o tempo de jogo. Equipamentos como fardamento, joelheiras, cotoveleiras, luvas, capacete e mascara são “opcionais”, mas não devem ser ignorados.

A história do airsoft se inicia com o fim da segunda guerra mundial, em 1945, quando o Japão foi um dos países obrigados a assinar um contrato internacional pelo qual se comprometeu a dissolver seu exército, eliminando desta forma a força maior de proteção e ataque nacional.

Entretanto a paixão pela militaria perdurou e acabou transformando-se em esporte, as armas de pressão foram desenvolvidas e construídas para se igualarem ao máximo aos modelos reais no peso, forma, cores e até mesmo materiais externos. Os componentes internos, entretanto são completamente diferentes de uma arma real, tornando impossível modifica-la para disparar munição real. Por volta dos anos 70 o airsoft se espalhou para a China e Hong Kong e cerca de uma década depois para a Inglaterra e outros países da Europa.

O airsoft chegou ao Brasil por volta de 2002, a través do trabalho de Rodrigo “Parafal” que, a partir de sua formação em direito e experiência como advogado, estudou as leis nacionais e criou o primeiro site e fórum especializado no esporte, o Airsoft Brasil. Nesta época o esporte ainda era proibido e, portanto, não havia possibilidade de sua prática.

Somente em 2004, após muito debate e pesquisa legislativa, “Parafal” juntamente com José “Coral” entre outros membros do fórum, arriscaram tudo iniciando o processo de obtenção de uma autorização do exército para colecionadores e logo depois importando algumas AEG. As armas, ao chegarem no país, foram retidas pelo exército, mas liberadas depois de semanas de luta para finalmente conseguir uma chance de desembaraço aduaneiro.

Depois de conseguir vencer todos os problemas desta e de outras primeiras compras (ainda em 2004) “Parafal” teve a chance de apresentar o esporte para o diretor da DFPC². Depois da apresentação muito bem sucedida o exército começou a trabalhar em uma legislação específica que legalizasse o esporte no país.

Entretanto somente no final do ano de 2007 foi publicada a primeira Portaria para airsoft, a PORTARIA Nº 006-D LOG, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2007. No ano seguinte surgiram as primeiras lojas legalizadas no país e anos mais tarde a Portaria de 2007 foi substituída pela atual PORTARIA nº 01 COLOG, de 16 de Janeiro de 2015.

Desde o início do airsoft no Brasil os esportistas se organizam em times que se assemelham a batalhões militares (cada um com suas regras de organização interna, seus símbolos e padronização), sempre seguindo a risca as normas legais.

Se você tem interesse em participar, procure informações sobre o grupo de airsoft mais próximo e pergunte sobre as formas de ingresso, lojas legalizadas e custos de manutenção. Bom jogo!

 

Este texto foi escrito pelo colaborador Ulisses Sigma.