Imagine-se no ano de 2045. O petróleo do mundo foi todo consumido, não existem mais combustíveis fósseis. A economia está, por falta de outra palavra, uma porcaria. As pessoas com menos condições literalmente vivem em pilhas: são quarteirões e quarteirões repletos de comunidades formadas por trailers empilhados, como prédios de apartamentos – mas muito mais perigoso, afinal, não era incomum que essas pilhas desabassem. Wade Watts vive em uma dessas pilhas.
Não é de se espantar que, nessa realidade tão desesperadora e desanimadora, Wade – e praticamente todas as pessoas do mundo – encontram no virtual a sua válvula de escape. Wade passa horas e horas de seu dia conectado ao OASIS, o jogo on-line de maior sucesso do mundo, um verdadeiro universo virtual, que pode até mesmo substituir algumas funções do mundo real – Wade vai à escola pelo OASIS, e há pessoas que trabalham através dele também. O criador do jogo, James Halliday, um bilionário excêntrico, obcecado pela década de 80, havia falecido anos atrás. Mas não sem antes deixar o maior desafio em seu jogo para seus usuários: o vencedor seria, simplesmente, herdeiro de toda a fortuna e posses de Halliday, incluindo o OASIS.
jogador-número-1Em um vídeo-testamento, intitulado “Convite de Anorak”, repleto de referências da década favorita de Halliday, este apresenta o concurso. Contando a história de seu primeiro videogame, um Atari 2600, conta a história do primeiro easter egg de um videogame. Por quê? Apresentando-se na forma de seu avatar no OASIS, conhecido como Anorak (entendeu o título do vídeo agora, né?), Halliday revela que escondeu seu próprio easter egg em seu jogo. O primeiro que encontrar, ganha o direito de ser seu herdeiro. A primeira pista é dada ainda no vídeo:

Três chaves escondidas abrem três portões guardados
E três boas qualidades deverão ser inerentes ao errante avaliado
Quem demonstrar ter os exigidos predicados
Chegará ao fim, onde o prêmio será alcançado

Não é de se espantar que o desafio de Halliday se transformou quase instantaneamente no objetivo de vida de milhões de pessoas. Os mais dedicados – e não são poucos – são logo apelidados de “caçadores de ovos” ou, abreviando, “caça-ovo”.
Wade é um caça-ovo. Tinha treze anos quando Halliday morreu, mas isso não importava, pessoas de todas as idades estavam disputando aquela corrida pelo ovo de Halliday. No início, ser caça-ovo era o máximo. Mas, depois de um ano sem nenhum avanço, o ânimo das pessoas começou a diminuir. Anos vinham e iam, e nada. Cinco anos depois, ser um caça-ovo era até motivo de piada.
Mas Wade não desistiu, mesmo após todo esse tempo. Ele era um garoto pobre, o que tornava seu avatar também pobre – sem dinheiro, ele não podia viajar para outros mundos para lutar e evoluir seu avatar. Às vezes ele conseguia alguma “carona” com colegas, o que lhe permitiu chegar ao nível três e ter alguns poucos itens ganhos em batalhas contra monstros fracos. Seu melhor amigo no jogo, Aech, com quem sempre conversava e “treinava” para o concurso, já estava no nível 13. Estudavam constantemente o “Almanaque de Anorak”, um livro deixado por Halliday falando sobre tudo o que ele adorava: jogos, filmes, programas de TV, que todos prontamente jogavam, assistiam e estudavam profundamente, até conhecer os mais intricados detalhes. O Almanaque era uma bíblia para os caça-ovos. O único avanço do concurso, em todos esses anos, foi encontrarem uma mensagem escondida nele:

A Chave de Cobre espera os exploradores
Em uma tumba de horrores
Mas você tem muito a aprender
Se acredita merecer
Um lugar entre os ganhadores

E foi relendo esses versos num momento entediante de uma aula que Wade tem um insight. E é esse insight que o leva a ser o primeiro a encontrar a primeira chave do concurso. E colocando em risco sua vida.ReadyPlayerOne RD 1 finals 2
A página pessoal de James Halliday na internet apresentava, após sua morte, apenas um enorme placar – O Placar – que antes contava apenas com uma sequência de JDH – as iniciais de James Donaven Halliday. Quando Perzival – nome do avatar de Wade – aparece no Placar, o mundo entra em comoção. A febre da caça ao ovo de Halliday retorna. E os perigos dessa caça também. Pois há uma empresa – a IOI, a maior provedora de acesso à internet do mundo – extremamente interessada em ganhar a caçada, para colocar as mãos no OASIS e passar a cobrar por ele. Seus avatares não tinham nomes, apenas séries de números, sempre começados por 6 – daí o apelido que receberam: os Seis. Com a grande descoberta de Wade, ele se torna um alvo da IOI e dos Seis. Além disso, em uma situação inusitada, conhece a avatar Art3mis – uma famosa caça-ovo, cujo blog Wade sempre acompanhava e por quem nutria uma paixão platônica. Mas… seria ela amiga ou inimiga? Será que os sentimentos de Wade podem atrapalhar seu caminho rumo à vitória?

É muito difícil interromper a leitura durante as 462 páginas deste livro. E por mim ele podia ter outras 462 páginas, e eu leria alegremente! Como um bom roteirista, o autor Ernest Cline nos prende na narrativa, nos bombardeando com as mais diversas referências geeks dos anos 80. Os direitos de filmagem do livro foram vendidos à Warner no dia seguinte ao seu lançamento!
O site do autor mostra que ele tem um pouco de Halliday em si mesmo: http://www.ernestcline.com/
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Acredito que os passageiros do Coletivo Cult apreciariam imensamente a leitura deste livro… Ou será que algum passageiro já leu também? Deixe aqui sua opinião!